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Pré-selecionados do Brasil ao Oscar 2007

Vai um desses:

Quote:
A Máquina, de João Falcão
Anjos do Sol, de Rudi Lagemann
Bens Confiscados, de Carlos Reichenbach
Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes,
Cafundó, de Paulo Betti e Clóvis Bueno
Depois Daquele Baile, de Roberto Bontempo
Doutores da Alegria, de Mara Mourão
Estamira, de Marcos Prado
Irma Vap, de Carla Camurati
O Maior Amor do Mundo, de Cacá Diegues
Tapete Vermelho, de Luiz Alberto Pereira
Vida de Menina, de Helena Solberg
Zuzu Angel, de Sérgio Rezende

Nãoi vi nenhum, mas ouvi vários elogios de Cinema, Aspirinas e Urubus.

Fonte

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MetaMachine entra em acordo com a RIAA

MetaMachine, a empresa que nos deu o eDonkey, entrou em acordo com a indústria fonográfica americana. A brincadeira ficou em TRINTA milhões de dólares, algo na minha opinião imoral. Principalmente se formos considerar que a MetaMachine apenas providenciava a tecnologia, cobrando por uma versão com mais recursos do cliente gratuito. E só.

Desde que o eMule criou asas e levantou vôo, o eDonkey e o cliente 100% distribuído Overnet, também da MetaMachine, deixaram de ter razão de ser. A rede ed2k pôde ser acessada via eMule (dentre outros clientes) e floresceu, e uma outra implementação do algoritmo Kademlia, base do Overnet, deu origem à rede Kad, que pode ser acessada via eMule, em paralelo à rede ed2k. Mas a MetaMachine foi quem criou a rede, uma das melhores desde o surgimento do Napster, e até hoje uma das principais alternativas para quem quiser baixar qualquer coisa, e a única opção para quem quer alguns arquivos mais raros (o repertório da rede ed2k é espantoso). É mais devagar que um torrent com várias fontes, mas é uma rede constante, segura, bem populada e extremamente funcional. Quem reclama não sabe do que está falando, ou nunca precisou de um arquivo mais obscuro.

Esse acordo é mais um reflexo do caso MGM v. Grokster [.pdf], que tornou praticamente impensável qualquer modelo de negócios baseado em redes p2p (nos EUA), caso haja a mínima suspeita de lucro sobre conteúdo intelectual alheio, sem obtenção de licença. Duas modalidades de violação indireta de direitos autorais (contributory ou vicarious copyright infringement) são presumidas, no raciocínio da Suprema Corte, se o programa é apto à troca de conteúdo protegido e a empresa não toma cuidados para que esse conteúdo não trafegue pela rede, ou simplesmente dá a entender que está incentivando, ainda que indiretamente, a troca deste material.

Clientes de software livre persistem, pela difusão de responsabilidade que geralmente existe nos projetos (quem responsabilizar, afinal?), e porque geralmente não há uma empresa por trás de tudo, controlando a rede diretamente (ao contrário da rede FastTrack, por exemplo, ou do exemplo clássico Napster). Se a tecnologia é livre, fica difícil aplicar o precedente estabelecido em MGM v. Grokster, confirmando a tese de Lawrence Lessig [site em manutenção no momento] de que código aberto serve como freio e contrapeso às possibilidades de regulação e controle por código fechado. Resta à indústria de conteúdo processar os usuários por violação direta de direitos autorais, que é o que eles têm feito nos EUA e Europa.

O monstro já está à solta. A morte da MetaMachine é totalmente irrelevante, no cenário atual. Esses processos são uma boa fonte de receita para a indústria de conteúdo, mas eles já estão ficando sem ninguém para processar, no que concerne à infra-estrutura tecnológica do compartilhamento de arquivos.

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Novidades Apple

Nada muito bombástico. À primeira vista, pelo menos.

Filmes no iTunes e um aparelho chamado iTV (um player wireless para vídeos que se conecta à TV) são as maiores novidades. Há upgrades na linha de iPods, mas não é nada tão extremo quanto o salto entre a quarta e quinta gerações. 80 gigas para o modelo mais caro de iPod (parece criado especialmente para os usuários das redes de compartilhamento...acreditem em mim, 60 gigas já são suficientes para este heavy user do OiNK, quanto mais 80). Redesign radical no Shuffle, e os Nanos agora estão com uma carinha de iPod Mini, mas fora isso...Anunciaram funções de busca que eu acredito vão estar disponíveis para os iPods de quinta geração via update de firmware. Já os novos jogos anunciados (coisas boas como Bejeweled e Zuma), talvez sejam algo só para os iPods de sexta geração. Se bem que, não há muito motivo para os iPods de quinta não suportarem, o hardware agüenta. Rodando Doom, deve rodar Bejeweled.

Os filmes e séries no iTunes + iTV podem render uma grana boa para a Apple. Particularmente as séries, creio. Dizem eles que vão expandir para o mercado internacional em 2007. Eu me interessei pelo iTV, mas se só for rodar Quicktime é meio goiaba. Provavelmente alguém lança um outro firmware para rodar outros formatos, mas vou esperar antes de fazer qualquer investimento. Se o aparelho rodar XviD eventualmente, eu compro o mais rápido possível. De todo modo, para o mercado americano pelo menos é algo que vai deixar algumas pessoas, principalmente emissoras de TV, com muito medo...É do tipo de coisa que, se pega, subverte vários modelos de negócio já consolidados. Vai haver um BOOM (em letras maiúsculas mesmo) de video podcasts, que são inúteis para se ver no iPod (aliás, vídeo no iPod não rola, sinto muito), mas na TV vão se encaixar muito bem. Produções independentes vão ganhar distribuição global EXTREMAMENTE facilitada. Pensando bem, é bombástico.

Além dessas novidades, há o iTunes 7, um upgrade ao que tudo indica substancial da versão 6. Há vários novos badulaques por causa da loja de filmes, e um modo de navegação por capas de disco que parece bacana. Tenho usado muito o Foobar ultimamente, por causa do suporte a FLAC (maravilha!) e porque não atrapalha as tags (de vez em quando o iTunes faz bons consertos automáticos, mas acaba prejudicando o hash dos arquivos, e não consigo mais ficar como seed em torrents). Mas como sempre uso o iTunes para interagir com meu iPod, vou correndo baixar a versão 7. Que já vem com o iPod Updater embutido (o atualizador de firmware).

Acho que é basicamente isso. A última coisa interessante é que, se você tiver uma conta na loja iTunes, fizer o rip de um CD e não tiver a capa, a loja manda a capa automaticamente para você. Legal o apoio da Apple para o direito de cópia privada.

Os novos iPods você pode ver aqui.

Fotos da apresentação, aqui.

EDIT.: Instalei o firmware novo, 1.2, e é possível jogar os novos jogos. Só que você precisa comprá-los. Fora isso, a grande novidade é gapless playback. Funciona direitinho, testei com o Kid A do Radiohead. A função de busca não está disponível, aparentemente, mas pra falar a verdade é desnecessária.

EDIT. 2: E agora, quando você usa a wheel para navegar pela sua lista de músicas, aparece a letra em que você se encontra na ordem de exibição, no meio da tela. Lindo e elegante, bem Apple. Mas totalmente inútil. 

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Vôo United 93

Eu adoro filme desgraça, explosão, morte, bomba, bumba, lepra, tiro, tortura e etc, ver esse tipo de filme é revigorante, é como assistir Cidade Alerta, pois vc logo pensa "nossa, que bom que não sou eu que ta se fudendo", vc não fica com pena, muito pelo contrário, vc fica alegre da sua situação confortável. Mas esse filme é tão bom que até eu fiquei levemente marejado, é um filme desgraça feito de forma respeitosa, mas pouco melosa, sem nunca perder o vigor e com uma montagem brilhante, lembrando até um bom episódio de 24 horas. Não tem nenhum ator conhecido, não é um filme pastel com trejeitos de blockbuster (como deve ser o Torres Gemeas). Não sou muito fã de filmes tremidos (antigamente a moda era "estilo mtv", agora é "estilo documentário"), não gosto, nos últimos anos tem saído uns filmes que eu só vejo depois de tomar um dramin, não que isso atrapalhe o rendimento desse Voo 93, até pq vou dar nota 10. Esse filme é tão tenso que vc chega a torcer, mesmo já sabendo na merda que vai dar.

nota: 10 (se a cada grande desgraça fizerem um filme bom desses, espero que derrubem mais aviões.)
nota de breguice: 2 (os terroristas parecem o El Tcholo do Miame Vice, francamente, não sei distinguir um árabe de um mexicano, o mais ridículo é que o cara, após sequestrar o avião, põe uma bandana na cabeça, estilo Rambo, até ai tudo bem, mas a cena deles se depilando é bem gay)
chucometro: 7 (se chuck estivesse a bordo do voo 93, ele não só derrubaria o avião, como faria isso em cima do Irã)

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Foto de quase nada

Silent Hill

Minha sensação vendo esse tipo de filme deve ser igual a da sua mãe vendo um filme com o Richard Gere. Joguei os 4 silent hill's e sou fanzoco da série.

Mas o filme é ruim que dói, tem umas coisinhas legais, mas o resto é um fiasco, desrespeita o material original, é chato, bobo e falha desgraçadamente ao tentar passar um clima de suspense.

- No jogo, a cidade não é povoada, mas o Silent hill do filme tem mais gente que a Bahia. O clima de desolação vai por água abaixo quando começa a aparecer dezenas de personagens (o mesmo erro do Land of The Dead) rola até um churrasco.
- A trama paralela envolvendo o marido da protagonista é desnecessária e chata.
- A história é ruim e não tem nada de complexo, o final não é aberto, é até muito mais auto-explicativo do que deveria ser, o Ebert é meio burro. Não precisa de nenhuma teoria mirabolante pra entender esse filme. O pessoal que não ve cinema asiático fica meio tapado.
- CGI porco, beirando o constrangedor, as baratas gigantes (que seguem o Pyramid Head) são do nível daqueles escaravelhos do Retorno da Múmia. Deve ter sido coisa de produtor "vamos botar umas baratas gigantes pra deixa-lo mais grotesco".
- Aquele efeito morph, que aparece quando as paredes estão se transformando, dá pra fazer na minha geforce 6.

Mas nem tudo é desgraça.

- As músicas são boas, aquele trip-rock baixo astral de sempre.
- O Pyramid Head tem boas cenas (apesar das malditas baratas de cgi) uma delas é clássica.
- A cena do arame farpado ficou legal, é meio clive barker, meio Hellraiser, meio plague ragues.
- Pega no tranco no terço final.

Nota 4,63 (Não ficou bom, é muito longo e embanana a história original, pega elementos dos 2 primeiros jogos e faz uma micarê, ficou bobinho. Um japa teria feito um silent Hill melhor, mas a grana falou mais alto no ouvido da konami.)
Bregometro 8 (atores ciganos, tem uma sósia da naomi Watts que me deu pena. Eu ri alto numa hora que uma velha chama uma mulher de bruxa e faz com os dedos o simbolo de heavy metal. A coreografia das enfermeiras ficou daiane dos santos de tão ridículo, eu pensei que elas iam dançar thriller. O nome da protagonista é Rose "da Silva", ai é pedir pra apanhar.)
NCN 1 (não assusta, não diverte.)

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The Elder Scrolls IV: Oblivion

Taí um jogo que eu não sabia muito se ia gostar ou não. As críticas tem sido incrívelmente positivas, mas até então eu tinha lido que era um RPG totalmente não-linear, gigantesco e em primeira pessoa, características que não me empolgam muito num jogo do gênero (eu prefiro os semi-lineares, de médio tamanho e em terceira pessoa, tipo Knights of the Old Republic ou Vampire: Bloodlines).

A verdade é que sim, o jogo possui essas três características, mas nem por isso deixei de gostar muito. Instalei ele essa manhã, e estou a quase oito horas jogando ele non-stop - e o mais interessante é que até agora não realizei nem a PRIMEIRA QUEST PRINCIPAL (que é muito simples, é só levar um amuleto para mostrar prum cara numa cidade vizinha). Ao invés disso, depois de perder uma boas três horas ajustando o personagem do jeito que eu queria (o jogo permite um nível de customização muito grande, e pode ser trabalhoso deixar um personagem do jeito que você quer - eu comecei a jogar com um e me arrependi, começando o jogo de novo com um personagem diferente mais duas vezes), eu fiquei só explorando o gigantesco universo do jogo. Basicamente, você pode seguir três caminhos principais: o do combate, e fazer um personagem Guerreiro, Cavaleiro, Bárbaro ou qualquer coisa relacionada à porrada; um mágico - seja ele um Feiticeiro, um Alquimista ou outras especializações; ou um perito em furtividade, tipo um Ladrão, um Assassino ou um Agente. Ou então, crie uma classe totalmente sua, misturando ou não qualquer um desses três caminhos. Faça um ninja, por exemplo, mixando um personagem stealth com combate com uma pequena dose de alquimista (para fazer venenos). Ou um Battlemage, com conhecimento de magias mas também bom de espada. A questão é: são tantas opções que você acaba nem sabendo o que vai querer. E jogar com ênfase ou em combate, ou em stealth, ou em magias é uma experiência MUITO diferente - por isso, escolha bem.

Bom, personagem pronto, parti para o jogo. Depois de uma pequena introdoção/tutorial, onde recebemos a primeira missão da história principal, o jogo te larga no mundo e fala: "te vira". Daí, eu comecei a dar um rolé pelos vastos campos do jogo: descobri ruínas que serviam de esconderijo para um bando de bandidos, os quais matei e pilhei seus itens; achei uma caverna secreta repleta de tesouros (e traiçoeiros Imps); fiz algumas subquests na Imperial City, uma das quais precisei investigar um comerciante que vendia seus bens a preços irrisórios e que estava causando irritação entre os mercadores locais. E agora, SÓ AGORA, depois de oito horas, resolvi seguir a quest principal. E nem tinha visto o tempo passar - o jogo te absorve totalmente. É um mundo vivo, amplo, com uma atmosfera incrívelmente convincente.

Claro, vale lembrar também os gráficos e efeitos sonoros fantásticos - é o jogo mais bonito para PCs atualmente (não, ainda não joguei o Prey). Ainda estou com um pouco de medo a cerca do tamanho do jogo (geralmente enjôo de jogos muitíssimo grandes), mas com certeza esse Oblivion vai me manter ocupado por um bom tempo.

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Rinjin 13-gô

Um dos filmes mais bacanas que eu vi esse ano é essa impressionante estréia na direção do japonês Yasuo Inoue. O cartaz americano diz que é uma mistura de Oldboy com Fight Club, mas está mais para uma mistura de O Médico e o Monstro com O Inquilino. E toques de Sexta-Feira 13. Desde os primeiros momentos, esse filme é absolutamente hipnótico. Não é original e não é nada do outro mundo, mas é indiscutivelmente intenso, bem executado e divertido (se você considera duas horas de pura aflição como diversão - eu considero). As críticas que eu tenho lido têm sido bem mornas, mas eu adorei o filme do começo ao fim. Quer dizer, o fim nem tanto, mas isso fica para mais tarde....

Os primeiros 5 minutos causam uma sensação de estranheza do tipo "Mas que COISA é essa?". Eu não vou descrever, e nem dar muitos detalhes da trama, porque é do tipo de filme que é melhor ver sem saber muita coisa. O IMDB lista Rinjin 13-gô (cuja tradução literal é "O Vizinho Número 13") como um filme de horror, e apesar de isso não ser errado, está mais para um suspense ou - horror dos horrores -, um "thriller psicológico" (odeio o rótulo). Não é exatamente um filme de horror, mas é um filme horrível, no bom sentido da palavra. E quanto mais atroz vai ficando, mais interessante.

Baseado em um mangá, o filme conta a história de Murasaki, um rapaz que sofreu na infância inúmeros abusos na escola, vitimizado diariamente por uma gangue de delinqüentes que é uma graça de se ver em ação. Traumatizado, Murasaki cresce e acaba desenvolvendo uma segunda personalidade. O Murasaki 2 (que nos créditos do filme tem o nome "Número 13") é um ser totalmente psicótico, surtado, monstruoso física e mentalmente, mais forte que Lion e He-Man juntos. Quando Murasaki 1 se vê acuado, Murasaki 2 vem a tona. E o que segue é puro caos.

O filme começa quando os Murasakis (interpretados por dois atores diferentes) se mudam para um novo prédio, no apartamento 13, para trabalhar em um novo emprego, de pedreiro. Tudo anda tranqüilamente na vida dos Murasakis até que eles reconhecem no chefe da construção onde trabalham o líder da gangue juvenil que atormentara Murasaki 1 no passado. O líder, Akai, está crescidão, com mulher e filho, mas comporta-se exatamente da mesma maneira como se comportava quando criança. As obras que ele comanda são um reino de horror em que ele faz as vezes de um déspota sádico. Nas horas vagas, Akai comanda uma gangue de motoqueiros muito pouco razoável e agradável, que provavelmente você não gostaria de encontrar em um beco escuro. Já não fosse esse um grande problema na vida dos Murasakis, eles descobrem que Akai também acaba de se mudar para o apartamento acima, número 23. Os Murasakis reconhecem Akai, mas Akai não reconhece Murasaki 1, que é apenas mais uma irrelevante vítima pretérita em uma extensa lista. Akai não reconhece Murasaki 1, mas em breve, como é fácil adivinhar, vai ser apresentado a Murasaki 2...Mas esse é apenas o setup inicial.

Rinjin 13-gô é um filme bastante lento, com ritmo muito bem estudado, mas o tédio nunca aparece, embora eu tenha lido gente reclamando. No meu caso, prendeu a atenção e não largou mais. Duas horas passaram voando. Há uma sensação horrorosa de desastre inevitável, que vai ficando cada vez mais pesada, quase insuportável, e é tremendamente bem explorada pelo diretor, com o auxílio de um elenco impecável. O Murasaki 2, Shido Nakamura, que em breve vai aparecer em um dos dois novos filmes de Clint Eastwood, Red Sun, Black Sand, é um ator notável, que intimida pela própria presença física. Não que o resto dos atores decepcione, mas Nakamura é particularmente impressionante como o insano Murasaki 2.

Se há alguma coisa que é francamente lamentável no filme, talvez seja o final. É um daqueles finais com virada na trama que acabam estragando um pouco o filme como um todo. Eu confesso que ele até me causou um certo alívio e paz de espírito, mas não deixa de ser um pouco covarde...chega até a ser bonitinho. E ser bonitinho depois de um festival de atrocidades não é algo que encaixa muito bem. De todo modo, é um defeito pequeno em um filme tão imersivo e nervoso quanto este. Vi o director's cut, e não sei se as diferenças são radicais em relação ao corte de cinema, mas parece que essa é a versão a ser assistida.

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Reflexões pseudo-sociológicas sobre a comunidade Guild Wars

Sucumbi à total nerdeza.

Depois de um fim de semana inteiro vendendo um item especial do evento de Natal de Guild Wars, as infames candy canes (removem toda a penalidade por morte, 1k cada!), que eu havia armazenado durante as celebrações, tomei gosto pelo mercado e decidi vender alguns itens que eu consegui recentemente...no eBay de Guild Wars, o Guild Wars Guru Auctions:

Notem a armadura que minha personagem está usando nas fotos...é uma das famosas armaduras de 15k (15k por cada uma das 5 peças, mais uma soma vultosa de ouro em itens raros para a confecção, mais cerca de 40k em tinta preta - porque é super-ultra-fashion ter uma armadura toda preta). Metade do dinheiro das candy canes, que me fizeram rico de um dia para o outro, foi gasto nessa armadura. Que não tem nível de defesa mais forte, apenas é mais desejável porque é sinal de status. Estou achando uma coisa BIZARRÍSSIMA essa minha incursão pelo mundo dos MMORPGs, porque realmente é um microcosmo da vida real - com anões e dragões -, fiel até nas futilidades.

Essa minha armadura é o equivalente de um terno Armani na vida real. Eu precisava comprar? Não. Podia gastar o dinheiro comprando skills, fazendo coisas mais úteis. Mas...decidi que minha personagem merecia isso. Sei que é totalmente babaca e irracional, algo que eu nunca faria na vida real, mas o ambiente virtual de Guild Wars me dá um impulso irresistível de agir uma patricinha fútil. Como é muito divulgado, esses MMORPGs em parte são uma grande brincadeira de bonecas para adolescentes espinhentos.

O end-game de Guild Wars - ou seja, aquilo que você faz depois que termina o jogo - é totalmente orientado por grana. O mercado acaba virando um jogo em si, e as cidades viram uma mistura de shopping center com bazar. Muita gente querendo vender coisa, muita gente querendo comprar, e mais importante, gente querendo se mostrar. Quando aparece outra monk com a mesma armadura que a minha usa, eu até sinto uma certa tristeza. Sim, é uma coisa meio gay, apesar dos aborrescentes que povoam o jogo não perceberem isso. Aborrescentes homens, porque MMORPGs são um fenômeno predominantemente masculino, apesar de mulheres estarem começando a embarcar de corpo e alma em jogos como World of Warcraft (que atualmente é quase um Orkut americano).

Mas não se exibe apenas armaduras e itens. Agora, com Factions, também temos "títulos". Pequenos trechos de texto que são exibidos abaixo do nome do seu personagem, e que representam coisas das mais absurdamente inúteis que você pode fazer no jogo. Quase todas dão um trabalho medonho (tipo explorar 100% do mapa, ficar bêbado por mais de 1000 minutos, perder 100000 jogos de azar, etc.), mas também são símbolo de status. Você escolhe que título quer exibir, e os mais difíceis causam admiração e espanto. Eu só tenho um até agora, Tyrian Explorer (60% aberto do mapa de Tyria), e não ligo para isso. Mas há pessoas obcecadas por títulos, e que gastam muito, muito ouro para, por exemplo, comprar bebida e ficar bêbado para ganhar o título Pinguço Plus.

Além de exibições de armadura e títulos, as cidades são cenário para exibições de dança coletiva, jogos de siga o líder, papel, tesoura e pedra, simulações de praia de nudismo, etc. Mas esses são momentos de lazer: todo mundo vai trabalhar para conseguir mais grana e comprar os acessórios da moda (tipo as espadas que eu estou tentando vender). Trabalhar significa "farmar", ou seja, "to farm":

  • matar monstros para conseguir "drops" (armas, ouro, escudos, itens raros);
  • fazer "chest runs" (correr pelo mundo afora procurando baús de tesouro para abrir - chaves custam grana e o investimento raramente compensa, mas de vez em quando você acha ótimos itens que podem transformá-lo em um trilhardário da noite para o dia);
  • procurar chefes para, quem sabe, conseguir um "green drop" (itens especiais que apenas chefes dropam, e que são raríssimos);
  • fazer "runs" (levar jogadores de carona de um canto a outros do mapa, por grana);
  • barganhar no mercado (bem no estilo "La garantia soy yo").

Enfim, além do jogo normal (PvP, player versus player, e PvE, player versus environment), há esse componente social totalmente bizarro, que é tão idiota quanto é viciante. E isso porque Guild Wars não é um MMORPG no sentido técnico da palavra, e é amigável a jogadores casuais. Jogos mais hardcore como World of Warcraft são mais desesperadoramente imersivos e conseguem construir um ambiente virtual muito mais convincente. Guild Wars ainda tem um jogo por trás de toda pavonaria, mas WoW é coisa séria. É trabalho, é drama, é um outro mundo, para quem não gosta muito desse aqui (as pessoas até se casam em WoW). Ironicamente, é exatamente o mundo real que criou esses outros mundos virtuais, e o fato de que trocentos milhares de jogadores preferem, em relação a ele, uma floresta com elfos com os mesmos defeitos da vida em carne e osso, é algo que está rendendo e vai render um monte de artigos acadêmicos que ninguém vai ler, ou vai ler e esquecer em 24 horas (tipo aquelas teses sobre o disco Araçá Azul, do Caê).

Além de todo esse aspecto mariposa glamourosa que é o Guild Wars Mall, também há um aspecto político. Os jogadores não têm nenhuma influência na vida política das cidades (meio redundante, eu sei), que seguem o script do jogo, mas os assuntos internos de guilda são outros. Há hierarquias internas e externas, disputas, picuinhas, trabalho (do tipo "Farme 5000 faction Kurzick ou Luxon diariamente ou seja expulso da guilda, escravo!"), jogos obrigatórios com horário marcado, etc. Eu não me envolvo muito com a minha guilda, porque é mais relaxada e também porque não tenho saco. Mas para quem quiser brincar de chefe e político, é um playground.

Assim é a vida em Guild Wars. Se algum dia eu mandar um email para vocês com as palavras "Socorro, estou preso em Cantha!", por favor liguem para o Virtua e peçam para desligarem minha conexão.

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Hard Candy

Bem, não é um filme ruim, mas também não é bom. O melhor que se pode dizer a respeito dele é que prende bastante a atenção e é muito bem produzido e atuado. Meio mal escrito, mas o problema principal aqui é uma total falta de honestidade.

Basicamente, é um filme de justiceiro, à la Desejo de Matar, e tão reacionário quanto, ao mesmo tempo capitalizando em cima de uma suposta moralidade "ambígua" do roteiro. A idéia é manjadíssima: pegar alguém que mereça sofrer e fazer com que essa pessoa sofra em nome de algum ideal de justiça, mas com o objetivo consciente ou não de apenas fornecer uma válvula de escape moralmente justificável para qualquer instinto sádico que a audiência possa ter e queira explorar. Criar, enfim, um espaço suficientemente seguro de violência e sadismo para que a platéia possa sair tranqüila do cinema depois de uma longa cena de tortura e comer um McLanche Feliz antes de voltar para a casa. Surge aí o principal problema de Hard Candy: é um filme 100% exploitation, mas que faz pose de algo mais intelectualizado, principalmente pela sofisticação formal (já que o roteiro é pífio). Não funciona. Tudo é muito estiloso e visualmente bem concebido, mas transparente até demais nos efeitos que procura criar.

O alvo é mais fácil de se chutar do que cachorro morto: um pedófilo possivelmente assassino que seleciona suas vítimas em salas de bate papo na Internet. O algoz é Hayley, uma menina de 14 anos, interpretada por Ellen Page, a Kitty Pryde de X-Men 3. Que tem 19 anos na vida real, mas físico de 12 na tela. Os primeiros 20 minutos, em que o pedófilo seduz a menina e a leva para casa, são os mais incômodos - há uma certa flutuação entre as posições de dominador e dominado que mantém algum nervosismo. Mas logo ela vira o jogo e tem início uma violenta sessão de tortura física e psicológica que se prolonga pelo restante do filme, mas é bem desprovida de tensão, apesar de curiosa de se assistir. Hayley, que no começo faz papel de menina frágil e insegura, transforma-se em uma torturadora bem hábil, profissional e sádica. Continua em pleno controle da situação até o final do filme. Não há qualquer mudança entre as posições de torturado e torturador, e tudo parece - e efetivamente é - inevitável para o torturado. Talvez ele morra, talvez ele sobreviva, mas certamente vai se dar mal. A menina, com certeza, vai se dar bem. Porque afinal, é tudo uma fantasia que apela aos instintos mais sádicos e reacionários da platéia, mas precisa de um final feliz. Que no caso é o pedófilo se dando mal, e a menina se dando bem. Um final em que o pedófilo se desse bem seria, aí sim, moralmente desafiador de forma explícita e muito incômoda. Hard Candy não quer incomodar, quer apenas agradar a audiência com uma torturazinha básica.

Vai doer. Muito.

As pessoas parecem ter uma grande necessidade de ver as outras sofrerem. Esse é um lugar-comum que tem muita razão de ser, porque efetivamente se verifica no cotidiano da humanidade. Basta observar o que acontece quando ocorre um acidente de carro, todo mundo quer ver. Se tiver fratura exposta, melhor ainda. Ao mesmo tempo, as pessoas acham que sentir prazer diante do sofrimento alheio é moralmente questionável. Cinema, literatura e telejornais estão cansados de explorar isso, proporcionando um espaço seguro para que as pessoas possam se deleitar com algo como uma hora e vinte minutos de tortura, sem sentir culpa depois. Em princípio, nada contra, desde que se tenha consciência do que se está a assistir. Pena que o filme não admite que veio com esse propósito em mente. O objetivo aparente é fazer auê em cima da moralidade discutível de ambas as personagens (Simpatizo com a menina? Simpatizo com o pedófilo? Simpatizo com nenhum dos dois?), mas sem deixar emergir o papel do espectador nisso tudo (Simpatizo comigo mesmo por querer ver uma pessoa sendo torturada por mais de uma hora?). Se o papel do espectador porventura emergir em algum comentário como este, os autores do filme podem convenientemente dizer que isso também foi planejado. É fácil, afinal, fazer pose de esperto. Difícil é não perceber que no fundo o que importa aqui é fazer o pedófilo assassino sofrer bastante para o prazer da galera. Não é discutir se isso é moral ou imoral, ou se as ações da menina torturadora são justificáveis.

É aquela velha ladainha: pena de morte pra ele, direitos humanos para humanos direitos, sofrimento é bom quando a pessoa merece, linchamento é legal porque o sistema jurídico é corrupto, lento e/ou leve demais, Stallone Cobra para presidente....ah, corta mais um dedinho, por favor...isso, mas bem devagarinho! Ladainha, em Hard Candy, disfarçada de suspense psicológico moralizante, o que torna tudo bastante imoral, na minha opinião.

Não que não valha a pena assistir: vale, prende a atenção como eu disse. Mas é bom que se tenha bem claro que não é um filme sobre justiça ou sobre se é moral ou imoral torturar alguém, se a pessoa merece sofrer. É um filme para quem quer sentir prazer com gente sendo torturada. Pode admitir sem ter vergonha nenhuma: no fundo todos nós sentimos prazer no sofrimento alheio, em maior ou menor grau. Admitir isso, aliás, é a única forma de se apreciar Hard Candy sem ser hipócrita como o próprio filme.

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Brick

Esse é mais um filme que estava na minha lista de filmes mais esperados do ano, junto com Piratas do Caribe 2. E como Piratas, também não me decepcionou. Minhas expectativas não eram tão grandes como em relação ao filme de Jack Sparrow, mas o hype em torno de Brick depois de Sundance e a boa repercussão de crítica e público no exterior apontavam para um filme a ser visto o mais rápido possível.

Brick é um daqueles filmes que procuram transportar gêneros já bem batidos para ambientações ou personagens pouco prováveis - um truque até certo ponto barato. Algo como Bugsy Malone ou O Virgem de 40 Anos. A idéia é fazer um filme noir com adolescentes, ambientado em uma high school americana. Os diálogos, inclusive, são carregados de gírias de gênero e de época. Ditos de forma bastante apressada, são em alguns momentos difíceis de entender e causam uma certa estranheza no começo. Ouvir adolescentes disparando diálogos com gírias e construções de diálogos de filmes dos anos 40-50 é inevitalvemente estranho. Inicialmente, tudo parece artificial demais, mas passa rápido e você se acostuma e até chega a se esquecer de que está vendo uma versão Dawson's Creek de O Falcão Maltês.

O filme exige uma certa suspensão de descrença, não só pelas gírias, mas também por ver um franzino Joseph Gordon-Levitt interpretando um personagem durão que é uma mistura de Terminator com Jack Bauer. Passados uns 5 minutos, entretanto, a trama engata e prende totalmente a sua atenção. E é tudo trama aqui, diga-se de passagem. Não espere personagens muito bem desenvolvidos, porque isso simplesmente não importa. Brick é um exercício de gênero totalmente dirigido por uma trama cheia de reviravoltas, muito divertida e bem escrita, mas um tanto confusa em relação a alguns detalhes. Sinto necessidade de ver o filme de novo para esclarecer alguns pontos.

Brick

Eu mencionei 5 minutos no parágrafo anterior, mas pensando bem são uns 3. A abordagem é bem no estilo cinema pornô, "Hi, let's fuck!". Logo nesses minutos iniciais o gancho da trama é apresentado: o protagonista recebe um telefonema da ex-namorada, Emily, sumida há três meses. Perturbada, ela dá um recado totalmente incompreensível, que envolve alguns nomes pouco usuais (pin, tug, brick e frisco), e desliga repentinamente. O que significam esses nomes, e em que contexto eles se inserem? Por que Emily está tão transtornada? Onde ela está, por falar nisso? Procurando respostas para essas perguntas, o protagonista inicia uma investigação com a ajuda de um nerd seu amigo, e se envolve em uma série de problemas cada vez mais complicados.

Apesar da ambientação colegial e dos personagens adolescentes, é um filme noir autêntico, e os riscos em jogo são os de sempre. Gente apanha e gente morre, em outras palavras. E o grande mérito de Brick talvez seja justamente esse. Não é uma brincadeira, que se satisfaz apenas causando uma certa confusão a partir da distorção de um gênero. Há distorção, mas também há um enorme respeito e rigor: a trama funciona exatamente como uma trama de filme noir deveria funcionar, independentemente da ambientação e da idade dos personagens. E a trama é a trama de um bom filme noir. No final das contas, o hype é um pouco exagerado: não é um grande filme. Mas também não é um filme pequeno, e há muito o que se apreciar aqui.

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Feed: espetacularmente ruim!

Eu estou quase sem palavras diante dessa preciosidade do cinema trash. Trash autêntico, do tipo de filme que quer ser levado a sério mas é absurdamente ruim de tão medonho. No caso de Feed, o intuito é ser um thriller de serial killer chocante, malvadão e cruel, tipo Seven. Mas não dá certo, porque é uma das coisas mais ridículas já filmadas, sem qualquer exagero. Uma mistura de Seven com...Hamburger, o Filme e toques de Feardotcom, 8mm e Demonlover.

Imaginem um filme de serial killer padrão, totalmente clichê, mas cujo serial killer é o dono de um site snuff por meio do qual pessoas apostam na vida de gordas que são alimentadas à força até morrerem. Não estou brincando. Aliás, o filme também não está. Logo no início há uma advertência de que o que veremos envolverá um fetiche real, de pessoas reais. E o fetiche existe. Há toda uma subcultura no mundo do BDSM que revolve em torno de feeders e gainers. Os feeders alimentam os gainers (de "to gain weight"), que têm metas a atingir (tipo 200 quilos, por exemplo). Os feeders são dominadores, os gainers são submissos. Bizarro, mas cada um com seu fetiche.

O vilão do filme, entretanto, propositadamente mata suas gainers de tanta comida! E cada gorda que morre tem sua gordura derretida e...alimentada às gordas seguintes via um funil enfiado na boca da vítima! Tudo isso é filmado e transmitido para uma clientela seleta, em um site chamado Feeder X. Os responsáveis por Feed registraram o site do assassino como o site do próprio filme, e você pode acessá-lo aqui (há conteúdo pornográfio...o que é uma coisa interessante, acho que é o primeiro filme mainstream que tem um site pornô como site publicitário). O herói é um policial australiano, que atua como cyber-investigador de sites pornográficos. Mas ele também age no campo: logo no início do filme o encontramos na Alemanha, em uma dramatização do caso Armin Meiwes, com direito a pênis fritando em frigideira e a vítima do canibal gritando "O corpo é MEU e eu QUERO ser comiiiidoooooo!". E sim, supostamente é uma cena séria, para chocar. E sim, é obviamente hilária.

O policial, traumatizado com o que vê na Alemanha depois de 6 meses à caça do canibal, volta à Austrália. Sua vida privada é virada de pernas para o ar. Ele não entende mais sua namorada ninfomaníaca (tem uns momentos meio Joe Eszterhas esse filme), e fica cada vez mais violento na cama. Ao mesmo tempo, é pego chorando no banheiro da delegacia e passa o maior vexame. Eis que, batendo papo em um canal IRC (via mIRC, por falar nisso), ele descobre que talvez as gordas de um site de gordas estejam sendo assassinadas, e hackeando feito um doido, ele descobre o endereço do site. Mas a segurança é tão cerrada que é impossível encontrar qualquer brecha. Nem um grande hacker como o cyber-investigador australiano consegue invadir. Mas ele sabe que há algo de errado ali!

Há um problema, contudo: o chefe do policial. Como em todo filme do gênero, há um certo atrito, uma certa disputa de egos, uma certa rivalidade, e o chefe ainda por cima acha que o herói não está em condições de trabalho. Afinal, ele estava chorando no banheiro agora há pouco, e de uma hora para a outra quer investigar um site de gordas na Internet. É crime alimentar alguém?, pensa o chefe? O que fazer com esse lunático? A célebre frase "You're OFF this case!" não é pronunciada, mas o chefe manda o cyber-investigador esfriar a cuca e tirar umas férias. Não importa. O protagonista, que por sinal é uma versão pit-boy do Sean Bean, com toques de Harvey Keitel, passa a investigar por conta própria, com a ajuda de um colega de departamento. Depois de vários truques de racko ultra-l33t, ele descobre que o dono do site é americano. E viaja para os EUA, na busca de respostas para uma tormentosa questão: as gordas estão ou não estão sendo assassinadas para satisfazer a lascívia sado-assassina de uma clientela de voyeurs internéticos psicóticos?

Enquanto tudo isso acontece, também conhecemos o vilão da história, um jovem muito perturbado. Conhecemos, igualmente, sua vítima atual: a bastante obesa Dierdre, que acha que está numa relação sadomasô gourmet inocente e não sabe que está a caminho do abatedouro. O serial killer tem, vejam bem, um grande trauma de infância. Quando ele era pequeno, a mãe dele era tão gorda que não conseguia levantar-se da cama (caso da Dierdre, diga-se de passagem). Forçado a alimentá-la, ele desenvolve instintos assassinos e acaba matando a mãe, aparando a gordura dela com uma faca até ela ficar magra. Uma das cenas mais tocantes do filme insere imagens do jogo Pac Man em um flashback do serial killer, fazendo uma referência super sutil e inteligente de cultura pop, num paralelo de grande densidade psicológica.

Pois bem, chega o policial australiano aos EUA. E o filme fica ainda mais ridículo. Sabendo do nome do serial killer, o policial consegue desenterrar alguns detalhes do passado dele, e descobre sua atual moradia. Mas o serial killer tem um grande álibi: ele é casado com uma MAGRA! Sim, com uma magra! Mas não seja por isso, o policial está obstinado e consegue um confronto final com o serial killer na casa de fazenda do assassino, local onde ele mata suas vítimas e dá um trato na gordura delas para aproveitamento posterior. Não vou contar o final, mas garanto que não irá desapontar a ninguém. E olha que eu nem entrei em detalhes...deixei de descrever momentos geniais que ocorrem no meio do filme, como o monólogo do serial killer contra o padrão de beleza atual, seguido pela aplicação forçada de uma injeção de banha humana na barriga do policial.

É difícil acreditar, mas o filme se leva a sério. Ele realmente quer ser um filme de serial killer perturbador e, quiçá, profundo. Exatamente por este motivo, é uma coisa formidável de tão espetacular. Quem é o diretor que conseguiu a façanha de fazer um filme sobre um site snuff de gordas masoquistas? Brett Leonard, responsável por clássicos como The Lawnmower Man, Hideaway e Virtuosity. Atualmente, Brett trabalha no filme que provavelmente será sua obra-prima, o aguardadíssimo Highlander: the Source.

Mas não quero saber de guerreiro imortal escocês: espero francamente que Brett continue fazendo filmes sobre fetiches obscuros, e faça um filme de horror sobre furries. Não vai precisar se esforçar muito.

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Sharman e RIAA entram em acordo: KaZaA vai virar serviço pago

Bem, eis que o KaZaA segue o previsível caminho do Napster e iMesh.

Fica a questão: quem é que vai querer pagar por um serviço que sempre foi porco? E fica também uma preocupação, ainda que mínima, mas que marca o fim de uma era: perdemos o nosso maior boi de piranha, e o modelo de compartilhamento de arquivos livre e gratuito se consolida de vez. A última grande rede de compartilhamento de arquivos comercial não-autorizada foi para o buraco.

Em relação à morte do boi de piranha, é difícil não admitir como era bom ter algo como o KaZaA como escudo para poder trafegar tranquilamente pelas zonas principais de compartilhamento de arquivos. A rede FastTrack é uma rede proprietária, com fins comerciais, de compartilhamento de arquivos - uma relíquia dos primeiros anos de compartilhamento de arquivos - e também concentra uma grande massa de usuários tecnicamente pouco qualificados. É o p2p do povão, sendo bastante pré/pós-conceituoso, e o alvo de maior visibilidade dentre os existentes no momento.

A rapaziada que sabe o que faz fica na rede ed2k/Kad, hubs fechados de Direct Connect e trackers privados de torrents. Não chega nem a dois cliques de distância da rede FastTrack, reduto dos usuários menos qualificados das redes de compartilhamento, e das maiores ameaças jurídicas (se você mora nos EUA). Por melhor que seja a tecnologia - e é uma ótima tecnologia -, a rede FastTrack é absurdamente tenebrosa, com acervo 100% mainstream (um dos motivos do interesse da RIAA), repleta de vírus e arquivos mal-identificados. É o mínimo denominador comum das redes p2p. Fora o cliente oficial, que é algo além da imaginação em termos de malware embutido.

Com o fim do KaZaA tradicional, e todos clientes Gnutella relevantes sendo software livre, a zona de segurança que era proporcionada pela rede FastTrack sucumbe. É a pedrada final no modelo inicial de grandes redes de compartilhamento, pré MGM v. Grokster. De agora em diante tudo o que não for frontend para loja autorizada vira software livre ou proprietário sem qualquer fim comercial (µtorrent, por exemplo), ou é judicialmente aniquilado. No caso dos torrents, você pode acabar com trackers privados, processar usuários, etc., mas não acaba com a tecnologia, porque a ela é livre e extremamente dispersa, desconcentrada em termos de titularidade. O mesmo ocorre em relação à rede ed2k: pode tirar quantos Razorbacks você quiser da jogada, surgem uns 3 outros no lugar de cada um que cai. Usuário para ser processado? Há milhares, pode processar. Idem para a rede Gnutella e para hubs de Direct Connect. Em relação à rede FastTrack, apesar do protocolo node/supernode ter sido aberto por engenharia reversa, o protocolo supernode/supernode permanece sob controle da Sharman. Ainda há alguém para responder pela tecnologia: uma empresa lucrando bastante com publicidade, a partir de conteúdo alheio. É o último gigante do p2p empresarial a cair.

Não que isso vá fazer muita diferença, e não que o KaZaA tivesse um grande valor simbólico como o Napster (apenas a RIAA pensa no KaZaA nestes termos). Mas a parte mais tosca da comunidade do compartilhamento de arquivos vai ou migrar para a rede Gnutella de vez (que é uma rede tosquérrima, sejamos honestos), ou ser incorporada nos trackers públicos de torrents. A rede ed2k acho que continua segura desse influxo de usuários, pela maior dificuldade de uso.

De todo modo, esse acordo é o fim de uma era, e marca o passo final para a transição para um modelo 100% livre e gratuito de compartilhamento de arquivos.

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Novo recurso: assinatura de tópicos

De agora em diante, aqueles que quiserem poderão adicionar tópicos que achem particularmente interessantes a uma lista pessoal de favoritos. É como se você montasse um fórum particular, apenas com as postagens que mais lhe pareçam mais interessantes.

Para fazer isso, basta clicar "adicionar a favoritos", no canto superior esquerdo da primeira postagem do tópico escolhido. Adicione quantos quiser. A lista poderá ser acessada a partir da página "Minha conta" de cada usuário.

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Piratas do Carilho II - Baú do Defunto

Fiz a resenha pra um site inglês aí. Quem não sabe ler, se vira.

 

Surely the screenwriters of PIRATES OF THE CARIBEAN II – DEAD MEN’S CHEST were on speed or at least high doses of caffeine when they wrote the screenplay to this – and I hesitate to use this word but I MUST – SWASHBUCLKING pirate adventure. It DOES assume you have seen the first one (which, I have, a couple of years ago, at least, which does not help my memory) and does assume you want to see non stop adventure scenes, crazy fights and a few gags, in a bit more than a couple of hours, which is fine by me, and I suppose is fine by anyone.


Now, those guys, Terry Rossio and Ted Elliot, are very smart guys. They wrote SHREK, which got to be one of the most successful films of all time. They wrote THE MASK OF ZORRO and they even wrote GODZILLA (was that any good?) but mainly, what makes them smart, is that they had great success with SHREK and the first PIRATES film, which, for something based on an a Disney attraction, well, no one really expected much out of it.


And it was fun.


More than that, it was great fun.


Johnny Depp was great, was gay, and was Keith Richards on drugs. He even got an Oscar nomination for it! And Keira Knightely had her youthful beauty revealed to the world, and god we had plot twists and underwater ghosts and hilariously funny jokes and it was jolly good fun, as much fun and adventure as you can have with a Pirate film. It was better than most of the new STAR WARS films, I’ll tell you that.


And more than all that.


It was a huge hit.

The ending was open, since the producers did not know if they were making a sequel or not. It was something that could be left alone… or it could continue.


And so, the producers decided, it should continue and as all franchises, be AT LEAST a trilogy, which now it is.


Well, getting to where we are now, the writers, the director and the producers take some things for granted. Honestly, as much as it is funny and fun to see Johnny Depp run from a bunch of Cannibals that then turn out to try and eat a dog instead, the plot is something the first film never was, because it KNEW that if it was a flop, there would be no sequel, and no chance for further explanations.


The plot is confusing.


There are too many battle sequences, too many interests at stake (Elizabeth Swan divided between her love for the wild and interesting Captain Jack Sparrow, Sparrow owing Davy Jones some dark dues and secrets, Will Turner, or nice boy Orland Bloom, divided between the love for his father who is at the hands of Davy Jones, his love for Elizabeth, and his jealousy and friendship with Sparrow).


And that’s not even half of the movie. Or characters.


I won’t get into plot details since there are too much to mention. It all goes around a chest,

Spoiler: Highlight to view
that contains a human beating heart (nice horrific concept)
and the main villains are a bunch of fish water life creatures from the very depths of the sea, led by the before mentioned Davy Jones, a creature that is AS COOL as it gets: a huge pirate with a huge squid like head and tentacles hanging from his mouth. Does it ring a bell? No? Well, the writers stole that directly from the famous and very dead (therefore not available to be angry) American writer H.P. Lovecraft, whom created a creature which is exactly like that for his story THE CALL OF CTHULHU. Developing from that concept, Davy Jones’s crew is completely made of crab men, hammerhead shark men, dark fishmen, spiky octopus men, tuna fish men….. you name it. The art designer did spend time looking at several pictures of weird fish, and the make up and computer generated effects departments spent a LOT of time designing those guys. It looks clever, it looks smart, they are as mean as it comes and the art direction is great. All those creatures are a circus of sea beats on their own, and they even control a giant Cthulhu ITSELF! Since a gigantic sea, octopus like beast, the size of a building, does appear and destroys ships with it’s huger than huge CGI tentacles (Cthulhu, according to Lovecraft, is a giant, not the size of a normal man, as Jones is).


Well, in the end, what do we have?


We have a cliffhanger and to wait for another year to find out what is going to happen, that’s what we have. And since this is no LORD OF THE RINGS or HARRY POTTER, there’s no way to just go to the nearest bookshop and find out. And since this is not STAR WARS (which has faults of it’s own, let’s not get into that here) there is no epical, mythical, a-hero-of-a-thousand-faces, Joseph Campbell like quality to this, it’s just a TV serial cliffhanger. That will last one year. WITHIN a confusing plot with so many characters, subplots, twists and turns enough to make your neck spin more than Linda Blair’s in the EXORCIST (unless you are 12 years old or younger, it seems, to me, that they understood everything. Even though they kept leaving the film every 20 minutes to buy more popcorn or perform even more evil deeds, I dare not image which they were).


In any case, let’s get to the good stuff: Keira Knightley looks lovely as Elizabeth Swan (the film starts with a shot of her BRESTS, “Oh, her brests” a poet would whisper) in the rain, and every time she’s on screen, you wish she was your girlfriend. She gets a lot of action, a lot of screen time, and delivers a great performance. Johnny Depp is NOT quite as good as Jack Sparrow was in the first film, even though the jokes and looks are there, he changed the character a little, made it less “gay”, and less interesting. His mannerisms and charm are different. He is more of a though “funny” guy, a comedic Errol Flynn perhaps? Who knows, he himself might ask. Orlando Bloom as Will Turner makes a very, very good boy. Brownie points to you Orlando, but in the end, we all know we like Jack more, because he is twisted and funny and crazy, and Will…. Well, will is just too nice, isn’t he?


And then there is the army of weird crabmen, fishmen and Lovecraftian creatures from hell led by a pirate which has the face of a gigantic squid. And I ask you: how cool is that? And the answer is: VERY COOL INDEED! A pity the plot is muddy and an intelligent adult cannot follow it completely without being lost in what is being fought for at a given time and why, the only clear reason is WHO is fighting. But since action and fighting are enough NOT to keep anyone bored in life, in any situation (you might be terrorized, delighted, annoyed, shocked or traumatized by it, but I would rarely think that you would be BORED by looking at people fighting, real or not, in life) we follow this over 120 minutes film ‘till the end without major problems And we do it, my brothers, because we know two things that refresh our souls and keep our minds at peace:

  1. There will be a DVD release. One that we can pause, rewind, watch the making of, the featuretes, the director’s comments, in short, a version we can try to understand.

2. One year from now, PIRATES OF THE CARIBEAN III will be released, and perhaps, just perhaps, the muddy plot threads, holes, black galaxy jumps and questions marks raised MIGHT BE EXPLAINED. Hope remains!


A nice film. It’s just too confusing, and relies too much in the fact that it had a predecessor, and more than that, that THERE WILL BE A SEQUEL, than showing us a decent, straightforward, satisfying, beginning, middle and end story.


Nice sea creatures though. I never saw Cthulhu so well represented. And he can even play a strange kind of keyboard/organ with his tentacles! That’s smart screenwriting!


Copyright 2006. Joaquim Ghirotti

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Superman Returns

É engraçado como esse filme se encaixa na continuidade da série...quer dizer, pelo menos em relação ao que eu me lembro dos filmes...err...do primeiro e do segundo filme (do terceiro eu me lembro apenas do robô humano e do Richard Pryor, e do quarto que havia uma babaquice qualquer envolvendo armas nucleares e paz mundial). Eu tinha reclamado do uso da trilha antiga nos trailers, mas só hoje ao ver o filme percebi o que o Bryan Singer queria fazer. Não é um filme que quer construir uma franquia nova, mas um filme que quer continuar a antiga. Nisso ele tem êxito, é muito bacana e lembra muito o primeiro filme. Dura bastante, mas passa rápido.

O curioso, entretanto, é que o que eu mais gostei no filme foram coisas bem pequenas diante da magnitude do Super. Eu achei a participação da Parker Posey, por exemplo, a melhor coisa do filme. O Superman é legal, coisa e tal, mas a perua burra da Parker Posey me pareceu muito mais fascinante. Também gostei do humor negro ocasional. De longe a melhor cena do filme é aquela com o cãozinho canibal. O romance emo-stalker do Super é aquela coisa de sempre, e há uma cena muito bonita em que ele usa a visão de raio-x para ver a Lois subindo no elevador. O Lex Luthor do Kevin Spacey também ficou na medida. Mas de um modo geral, apesar do filme acertar em tudo, ser muito bem feito e agradável, achei X-Men 3 um filme superior. O impacto de Superman Returns foi menor do que eu esperava, mas talvez isso dependa muito da relação que você tenha com o personagem. Eu confesso que nunca fui muito fã do Superman. Pra quem é fanático, contudo, esse provavelmente vai ser o filme do ano.

Agora, pra quem é ligado nas fofocas: o Bryan Singer tem algum caso com o Ciclope? Porque não é possível, o cara atua muito mal, não tem carisma nenhum e é uma nulidade em cena. Só pode ser amor aquilo lá.

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X-Men: The Last Stand

60% do Rotten Tomatoes: aqui

Tem gente dizendo que é o melhor dos três e outros que é um grande Blah!

Estreiando nessa Sexta-Feira (26/05) parece que vai ser o mais fraco, mas possivelmente um bom filme pipoca (ao contrário dos dois primeiros, excelentes filme pipoca).

Não curtir muito os traillers liberados, o visual do fera parece muito fake e o restante meio inconsistente.

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Angel Dust (Enjeru Dasuto)

A sensação que fica é a de um grande filme que não foi. Angel Dust (ou Enjeru Dasuto), dirigido em 1994 por Sogo Ishii, poderia muito bem ser lembrado ao lado de filmes como Seven, Silêncio dos Inocentes e Memories of Murder como um dos filmes canônicos de serial killer. O fato de que isso não aconteceu (e de que poucos sequer ouviram falar de Angel Dust) se dá em razão do gênero ser apenas o ponto de partida para um filme que tem outras pretensões, que infelizmente não foram concretizadas. A tentativa é louvável, mas o resultado final talvez fosse melhor se Angel Dust se contentasse em ser apenas um filme de serial killer. Já que Ishii ao que tudo indica teve preguiça de realmente levar a sério o próprio filme, caso tivesse optado por algo mais tradicional e batido talvez tivesse feito um filme melhor.

Sogo Ishii, figura famosa na cena punk japonesa, é um diretor cult no mais verdadeiro sentido da palavra. Os seus filmes são difí­ceis de encontrar, e quando são encontrados muitas vezes não têm legenda em outras lí­nguas que não o japonês. Angel Dust, apesar de não ser amplamente disponí­vel, ainda é relativamente fácil de ser encontrado com legendas. Faz parte do que pode ser considerada uma segunda fase na carrreira do diretor, que atualmente também faz parte da banda punk Mach 1.67, acompanhado de um dos maiores atores do cinema japonês atual Tadanobu Asano (nota 11 em 10 na escala cool). Nessa segunda fase de sua carreira, Ishii abandonou o estilo turbulento e caótico de suas primeiras obras, e se dedicou a filmes mais lentos e introspectivos (o fantástico Electric Dragon 80.000V, filme mais conhecido de Ishii, marcaria um retorno í  primeira fase).

Angel Dust, assim, é um filme bastante lento, ocasionalmente chato, que exige uma certa dose de paciência. O que torna ele relevante, e o “grande filme que não foi” a que me referi no iní­cio, é a precisão e habilidade técnica com que Ishii o compôs, e como ele escolheu corretamente todos os elementos necessários para fazer um filme espetacular, mas jogou tudo fora por puro comodismo.

Fotografia, som e edição são tecidos em Angel Dust com virtuosismo, a serviço da construção de um tom e uma ambientação crescentemente desconcertantes. Fica difí­cil não imaginar o quão poderoso este filme poderia ter sido se tivesse optado pelo caminho tradicional dos filmes de serial killer, ou se mesmo divergindo do gênero depois, algum esforço tivesse sido empregado na composição de uma obra mais coesa e coerente. Ishii, aparentemente, queria valer-se da moldura de filmes de serial killer para dizer algo sobre autonomia e relações de gênero no Japão, mas o tiro saiu pela culatra. Apesar de escolher de forma irretocável os ingredientes da história, Ishii não trabalha com um roteiro propriamente dito passados 30 minutos de filme, simplesmente optando por uma narrativa malucona, mal costurada e preguiçosa, que joga algumas idéias fascinantes na tela mas nunca as desenvolve.

O ponto de partida é muito interessante. Toda segunda-feira, í s 06:00 da manhã, um serial killer age em uma linha superlotada do metrô de Tóquio. As ví­timas são sempre jovens mulheres, aparentemente sem nenhuma conexão entre si além do gênero e idade. O serial killer é um trabalhador anônimo como todos os demais do vagão, que age com uma seringa contendo um veneno cujos efeitos são fatais poucos segundos após a picada. A polí­cia, por motivos que são posteriormente explicados, não consegue pegar o serial killer, que continua matando mulheres segunda após segunda, mesmo partindo de uma estratégia que tinha tudo para não funcionar. O setup de Angel Dust é perfeito, e o filme capta algumas preocupações tipicamente japonesas em relação a transportes públicos, anonimato, falta de identidade, solidão, isolamento e paranóia de forma bastante contundente. O esboço de trama que é traçado em seguida também acrescenta alguns elementos interessantes, como cultos religiosos, lavagem cerebral e hipnotismo. Mas Ishii infelizmente deixa a bola cair, e não ata as pontas dos fios.

Estava tudo lá: competência técnica, construção perfeita de um pesadelo urbano plausí­vel, tom sufocante, comentário social relevante...e todo esse potencial não é concretizado. Fica uma coisa meio David Lynch, no mau sentido, e meu entusiasmo inicial foi aos poucos escoando ralo abaixo. Eis um filme que vale a pena ver pelo que poderia ter sido, mas não pelo que é.

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Foto de Guybrush Threepwood

Tenho uma confissão a fazer

Comprei hoje os três dicos clássicos do Michael Jackson: Off the Wall, Thriller e Bad. Beleza, podem me zoar.

A história é a seguinte: fui no Carrefour comprar algumas coisas (uns DVDs virgens, sorvete, e outras coisas mais que minha mãe pediu) e esbarrei com esses CDs na prateleira de R$16,90. Como eu sofro da Sindrome do Impulso Consumista (nem sei se isso existe, se não existe inventei agora), me deu um treco e acabei comprando os discos, sem saber bem lá por quê.

O Thriller e o Bad eu já tinha em vinil, relí­quias da minha infância. Fazia uns quinze anos que eu não os ouvia. O Off the Wall eu nunca tinha ouvido, embora conhecesse várias músicas. Fiz MP3s deles e mandei pro meu Sandisk.

Muito antes de Jackson se transformar em Wacko Jacko, o mutante albino comedor de criancinhas, muito antes dele ficar (mais) doido e quase ir í  falência, ele deixou seu legado. Esses três discos. Essas três obras-primas do pop. Eu não fazia idéia (ou não lembrava), mas os discos são muito, muito bons. Começando por Off the Wall, que já abre com a clássica música da vinheta do Video Show (Don't Stop 'Til You Get Enough), explode com Rock With You e engrena até fechar com chave de ouro (Burn This Disco Out). E um disco funk em sua melhor forma, e incrivelmente pop.

Thriller, logo em seguida. O "magnus opus" da carreira de Jackson. Merecido. Todas, repito, TODAS as músicas são incrí­veis. Wanna be Starting Somethin' é uma pancada. Vem Baby Be Mine, depois The Girls is Mine, dueto com o sósia do Paul McCartney (o verdadeiro morreu em 1966) e... Thriller, divertidí­ssima. Depois Beat It, com um sensacional riff de guitarra do Van Halen (melhor coisa que ele já fez em toda a carreira) e Billie Jean.

Vou dedicar um parágrafo í  Billie Jean. Billie Jean tem a linha de baixo mais grudenta que você já ouviu. Billie Jean tem um clipe breguí­ssimo, mas muito bacana. Billie Jean é a sí­ntese do pop anos 80. Billie Jean é provavelmente a melhor coisa que Jackson já fez. Billie Jean talvez seja a canção pop definitiva.

E não para aí­. Human Nature, P.Y.T. e The Lady in My Life. Excelentes. E um disco perfeito, fenomenal. Mesmo. Não, não estou de sacanagem. Nem lembrava, mas o disco é fodido de bom.

Bad é o mais irregular dos três, mas tem Another Part of Me, Man in the Mirror e a maravilhosa Smooth Criminal (essa música sempre me remete ao Moonwalker - o jogo de Mega Drive, não a bizarrice cinematográfica).

Wacko Jacko pode cotinuar fazendo suas pirações, que definitivamente ele já deixou sua marca na história da música. Pode ir a falência, pode morrer caí­do numa esquina ou na porta de uma creche; mesmo assim, ele será eternamente lembrado por essas três jóia musicais que criou.

Vão em frente, me zoem agora.

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Zagallo tripudia sobre Telê

Não sei se vocês repararam, mas Zagallo deu um jeito de falar mal do Telê na coletiva após o anúncio dos convocados para a Copa:

Quote:
AFP - O momento da seleção atual pode ser comparado ao da equipe que disputou a Copa de 1982, que também chegou com certo favoritismo?

Zagallo - Não há comparação porque a Copa não terminou. Só depois podem comparar. A seleção de 82 foi reprovada, não passou no teste, foi eliminada cedo. De que adianta jogar bonito e não vencer? Não foi eficiente. Eu quero é resultado. Aquela seleção perde de todas as que foram campeãs mundiais, fracassou. Dizem que a de 82 foi o supra-sumo. Supra-sumo do quê? Supra-sumo é quem ganha a Copa.

A maior parte da resposta não se refere í  pergunta. Ele não queria na verdade responder ao questionamento, mas apenas demonstrar o seu profundo despeito pelas homenagens quase unânimes que Telê recebeu há menos de um mês.

Aliás, já que ele falou em "não passar no teste", vamos relembrar. Zagallo disputou três Copas como técnico:

a) na primeira, ganhou com um time formado por João Saldanha e que era talvez a melhor geração de craques da história.

b) na segunda, perdeu para o Holanda um dia depois de minimizar o adversário, num jogo em cujo final abdicou de brigar pela vitória, com medo de pegar uma goleada.

c) na terceira, perdeu na final de forma humilhante, depois de escalar um jogador notoriamente sem condições de jogar (Ronaldo), apenas para satisfazer interesses comerciais, gerando um clima terrí­vel que matou o ânimo da seleção.

Pra mim, foi Zagallo quem nunca passou no teste.

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World Trade Center

Já virou piada nos EUA gritar "Too soon! Too soon!" toda vez que alguém ameaça a fazer um filme sobre 11 de Setembro. A idéia é a de que eles ainda precisam de tempo para curtir as perdas e não devem permitir que qualquer empreendimento artí­stico se aproveite da tragédia...ainda! Mas a julgar pelo trailer de World Trade Center, o segundo filme relacionado ao evento este ano - o primeiro é United 93, do Paul Greengrass -, não é um caso de "Too soon!", mas de "Too late!". Parece algo muito mais adequado í  semana seguinte ao atentado, porque reproduz exatamente o discurso de "Coragem sob condições adversas! O ser humano constrói o que os outros destróem!" que a imprensa americana utilizou para acalmar a população. Não cola mais, para quem analisou a situação mais criticamente ao decorrer do tempo (minoria nos EUA, pensando bem)....e não é algo que eu esperava do Oliver Stone.

Não vai ser um filme sobre teorias conspiratórias, coisa que Stone sabe fazer muito bem (principalmente se estiver bastante entupido de coca)...mas sim um filme catástrofe meloso sobre como a polí­cia de Nova York é gente que faz. Basicamente é o Nicolas Cage e o mexicano de Crash (porque nesses momentos é importante destacar a participação de "agentes étnicos" que via de regra são tratados como lixo nos EUA), no meio dos escombros do WTC, comportando-se feito heróis. Tem até uma cena da Maria Bello cheirando o lençol onde o marido havia se deitado na noite passada. Dá um tempo, não?

Eu acho muito mais saudável uma reação do tipo Rambo ou True Lies, do que esse tipo de filme. Até me animei quando houve boatos de que o Sylvester Stallone estava preparando um Rambo em que ele iria í  caça do Bin Laden. Quer algo mais legal? Um filme catástrofe babaca, como esse World Trade Center parece ser, exaltando o heroí­smo de policiais, é o cúmulo da xaropice. Sem querer desmerecer a participação de policiais e bombeiros no 11 de Setembro, não foi nada mais do que o dever deles fazer alguma coisa quando tudo começou a explodir. Agora, um vigilante solitário que vai até o Oriente Médio com uma bazuca matar todo mundo? Uau! Bem mais impressionante. E estimulante.

Outra coisa que esse filme tem e que não deveria ter é Nicolas Cage. Eu gosto do Nicolas Cage, mas não em papéis sérios. Sempre tem que ter algum elemento cômico, um tom escrachado no meio, porque raramente funciona caso contrário. E nesse filme do Oliver Stone ele também tem um bigodão! Risadas involuntárias a caminho...

 

 

A única coisa que eu gostei nesse trailer foi o cartaz de Zoolander que eles colocaram em um outdoor. Porque factualmente é bastante correto, já que Zoolander estava para entrar em cartaz e depois foi adiado (porque era uma comédia!). E também porque Zoolander é um ótimo filme, que merece ser lembrado. Eu diria que o look do Nicolas Cage na foto acima é uma mistura de Le Tigre com Blue Steel.

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