Foto de Marcus

MTV Brasil deixa de exibir videoclipes

Confesso que a notícia me deixou um pouco espantado. Afinal, mesmo sabendo do espaço cada vez menor para os videoclipes na programação da MTV, não achava que eles iriam simplesmente cortá-los. Até o Disk vai pro ralo:

Quote:
Por decisão da cúpula da empresa, em 2007 o canal jovem não exibirá mais videoclipes.

De acordo com Zico Góes, diretor de programação, os videoclipes "não colaboram para o avanço televisivo e apostar neste formato é receita para a queda de audiência".

Na apresentação da nova programação, realizada na tarde desta terça-feira em São Paulo, uma das medidas mais extremistas mostradas foi cancelar programas como o Disk MTV e o Chapa Coco, que fizeram um relativo sucesso em 2005 e 2006. "Hoje o vídeo está ligado ao mundo digital", explica Góes. "O espaço está morrendo, o jovem não busca a televisão para assistir videoclipes".

Se o corte atingir também o MTV Lab (que tem uma boa programação e foi estendido porque agradava aos espectadores) eu retiro a emissora do menu da minha TV.

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Foto de quase nada

Adrenalina (Crank)

Eu ia ver o Labirinto do Fauno mas, depois do Fountain, preferi algo mais porradeira (pra desintoxicar). Esse Adrelina é jóia, desde já é um quase clássico do filme desgrameira, uma espécie de "Dia de Fúria", só que no crack! Ridículo é pouco, mas isso não quer dizer que seja ruim, parece um daqueles filmes asiáticos excentricos, não tem o menor pudor com nada.

A história é interessante, não entendo como ninguem nunca tinha pensado nisso. O cara é envenenado e vai em busca de vingança, mas se ele ficar calmo, o nível de adrenalina cai, a naftalina faz efeito e ele morre, portanto ele tem que tocar o terror (tudo isso na base de muito Red Bull). Os diretores são meio estranhos, abusam de tela divida e outras firulas visuais, confesso que irrita, pois não tem a mesma qualidade firulenta de um fight club, mas depois o filme engrena e vira um delicioso conto de fadas do ghetto.

Aquele ator careca é um exemplo de como o macho deve ser.

Nota 8,09
NB 0 (quando um filme ultrapassa a escala do ridiculo, o contador volta ao zero)
Chucometro 9 (é um filme de ação quase perfeito: poucos dialogos e muita bala)
Punhometro 7... (Falando sério, teve uma cena que meu pau envergou. Pra não estragar, não vou contar como ela é. A atriz que faz a esposa do careca é uma gostosa, deu pra ver o camel toe numa cena onde ela abre a porta.)

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Foto de Terenzi

Definição de Indie (para não Indies)

Bom.... Eu sei que tem muita gente aqui que se considera Indie (e a maioria gosta pelo menos da música) mas o Link é bacana vai....

http://desciclo.pedia.ws/wiki/Indie

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Foto de Bennett

Comunidade tenta comprar o MMORPG Saga of Ryzom e liberar o jogo em licença de software livre

Não é algo sem precedentes: o editor de gráficos 3D Blender uma vez foi proprietário, e quando a empresa que o desenvolvia, a NaN, entrou em falência, um mutirão foi realizado e, a partir de doações, o programa foi comprado por 100.000 euros e liberado em uma licença GNU-GPL.

O MMORPG francês Saga of Ryzom, que tem uma comunidade bastante viva e dedicada de jogadores, passa por uma situação semelhante. A empresa responsável pelo jogo, Nevrax, entrou em falência. Inspirados no que ocorreu com o Blender, os desenvolvedores do jogo estão tocando para frente uma campanha semelhante, com o objetivo de comprar o código e toda propriedade intelectual a ele vinculada, e liberar tudo via uma licença de software livre. Formar-se-á uma fundação, como ocorreu com o Blender, e a equipe original de desenvolvedores continuará a trabalhar no jogo, que todavia também terá seu desenvolvimento aberto a quem quiser participar nele. A mesma fundação também cuidará de servers oficiais, e procurará manter o jogo a partir de um plano de mensalidades que apenas cubra os custos de manutenção dos servers e o futuro desenvolvimento do jogo. Como todo o código será liberado, também haverá a possibilidade de que jogadores construam seus próprios servers, e contribuam com conteúdo original para o jogo. Ryzom transformar-se-á em um jogo comunitário, de propriedade coletiva.

É uma idéia interessante, que pode colocar à prova a noção de que software livre não funciona muito bem para jogos de computador. A plataforma sobre a qual Ryzom foi construído, NeL, já é livre. Mas não há jogo de peso que tenha se aproveitado da NeL, e a liberação de um jogo pronto, bem feito e de respeito como o Ryzom pode ser um marco na história do software livre. Os modelos de negócio típicos das empresas de software livre têm como base prestações de serviços, algo perfeitamente compatível com os modelos de negócio dos MMORPGS, a despeito destes serem predominantemente proprietários.

A campanha está, no momento, apenas coletando promessas de contribuições. Você pode ir ao site e oferecer uma contribuição, que será incorporada a uma lista e apresentada ao juízo falimentar como proposta de aquisição. Não será, é claro, a única proposta, e nada indica que a tentativa terá sucesso. Mas não deixa de ser bacana. Eu prometi contribuir 25 euros, e se a proposta for aceita, pago na maior boa vontade mesmo se não for jogar o jogo.

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Foto de Bennett

BitTorrent faz nova parceria com Hollywood...mas as coisas não parecem muito animadoras, apesar do clima de alegria da indústria

Ainda não entendi muito bem qual vai ser o modelo de negócios da BitTorrent, mas os contratos são de peso:

Quote:
BitTorrent, Inc., home to the world’s leading peer-assisted digital content delivery platform, today announced a slate of partnerships with a wide variety of leading film and television companies. 20th Century Fox, G4, Kadokawa Pictures USA, Lionsgate, MTV Networks (including COMEDY CENTRAL, Logo, MTV: Music Television, MTV2, Nickelodeon, Nicktoons Network, SpikeTV, The N, TV Land and VH1), Palm Pictures, Paramount Pictures and Starz Media will publish movies and TV shows on BitTorrent.com.

Fonte

O acordo anterior foi com a Warner. Resta saber agora se:

a) Os arquivos terão DRM?;

b) Os consumidores serão recompensados por compartilhar hardware e banda?

A resposta à primeira pergunta parece ser sim, pelo menos na modalidade de "aluguel" anunciada. A resposta à segunda pergunta deve ser a mesma, se a BitTorrent espera conseguir vender alguma coisa. Afinal, por que transferir aos consumidores o ônus de ajudar no armazenamento e transferência de arquivos, se não for oferecida nenhuma contrapartida?

Em relação ao DRM, outras perguntas são pertinentes, a principal delas sendo a questão da compatibilidade com itens de hardware. Vide o absurdo da proposta da Microsoft, que abandonou o sistema PlaysForSure assim que o Zune entrou no mercado, e está levando cacetada atrás de cacetada na imprensa.

Na minha opinião, vai ser preciso muito esforço para a BitTorrent conseguir alcançar o sucesso da loja iTunes. Não há nenhuma vinculação óbvia com qualquer aparelho eletrônico da moda, e não haverá qualquer vantagem para o usuário de trackers privados que já baixa de tudo sem pagar, com acesso a repertórios mais ricos e diversificados. Talvez eles consigam atrair uma quantidade razoável de consumidores agregando aos produtos digitais o rótulo de "legais". É o único valor que a indústria do conteúdo consegue transferir para esses produtos violentamente mutilados por DRM que eles estão tentando vender. Alguns consumidores estão dispostos a pagar o preço, em razão da campanha terrorista anti-compartilhamento promovida pelos cartéis do entretenimento. Engraçado como todo o clima de perseguição, apesar de ineficiente para coibir o compartilhamento em si, é necessário para a criação desse valor artificial de "legalidade', afim de preservar um modelo de negócios caduco e em princípio incompatível com a estrutura atual da Internet, no próprio espaço da rede. Talvez seja essa a única função desses ataques generalizados a compartilhadores de arquivos: além, é claro, de gerar uma receita a partir de acordos extrajudiciais, sustentar um modelo de negócios anacrônico na Internet.

Com todo mundo de saco cheio com a MPAA, RIAA e BSA, e com as campanhas anti-DRM ganhando alguma projeção na mídia, é de se perguntar quanto tempo a BitTorrent vai resistir antes de se transformar em algo patético como a Napster ou a Yahoo Music. Tudo o que a BitTorrent tem é a marca e o mindshare. E isso não proporcionou vantagem alguma para a Napster. A tecnologia torrent em si, como todos sabem, é neutra e vai persistir independentemente do destino da BitTorrent corporativa. Nem mesmo a cooptação de ícones do compartilhamento (primeiro Shawn Fanning, agora Bram Cohen), serve para alguma coisa. O efeito moral é praticamente nulo.

Na minha previsão, o panorama das lojas de mídia digital para o futuro próximo fica assim:

  • Hegemonia da loja iTunes, por vinculação a itens de hardware altamente vendáveis (iPod e o futuro iTV);
  • Provável fracasso do Zune Marketplace (com resistência do aparelho Zune, entretanto, já que parece ser um player razoável para mídia não-protegida...isto é, se você não for usar a patética opção do "squirt", que aplica DRM a qualquer arquivo transferido via Wi-Fi, independentemente do conteúdo ser protegido ou não);
  • Persistência simbólica das lojas de música que seguem o modelo PlaysForSure;
  • Persistência de lojas que oferecem arquivos sem DRM, como a eMusic, uma vez que a ausência de DRM, assim como a "legalidade", é um valor agregado que tem o potencial de promover vendas;
  • Inviabilização, na origem, de modelos de negócios baseado em licenças compulsórias, pela eliminação dessas licenças onde elas existirem (caso da Rússia, com a allofmp3.com, que vai ser fechada por coerção americana, baseada em sanções comerciais e como condição para participação na OMC), ou pelo lobby contrário à criação de licenças compulsórias para transmissão online de conteúdo (vide o fim da tentativa francesa este ano de se inserir uma licença compulsória na implementação da Diretiva de Copyright da UE).

Essa última previsão, se concretizada (e tudo indica que será), vai ser um grande tiro no pé. A única alternativa, no momento, para a indústria do conteúdo, parece-me ser jogar tudo para o alto e investir em licenças compulsórias com o auxílio de serviços de monitoramento online de sistemas de compartilhamento, como os da BigChampagne e da CacheLogic. Tudo bem que há sérios problemas de implementação no sistema de monitaramento e arrecadação de remuneração por reprodução digital (basta observar a experiência de entidades como a ASCAP e a BMI nos EUA, e o ECAD no Brasil, no espaço extra-digital). Mas tudo indica que essa é a única alternativa viável. Se for preciso dar os anéis para não entregar os dedos, esse é o caminho a ser perseguido.

Evidentemente, não é o que acontecerá. Enquanto não houver sistema de DRM eficiente (uma contradição nos próprios termos), e enquanto não houver implementação dos tão prometidos sistemas de trusted computing (ou treacherous computing), não há absolutamente nada que obstaculize o compartilhamento de arquivos livre e desimpedido. Também creio que isso não acontecerá. Fora a questão da possibilidade constante e sempre presente de destruição por circunvenção, sistemas de DRM precisariam estar sustentados por standards únicos, e a indústria parece ainda estar interessada em cortar a competição pela raiz a partir da proliferação de uma pluralidade de standards propositadamente incompatíveis. Em relação ao trusted computing, é uma idéia radical demais, que contraria toda a postura de fabricação de PCs neutros e multi-purpose, radicada na indústria de eletrônicos. E mesmo se se tornar realidade, também não seria um sistema inviolável. A primeira coisa que vai acontecer se o cerco fechar nas fabricantes de eletrônicos mainstream será a criação e fabricação de hardware e software destinados a quebrar sistemas de trusted computing. E se for preciso que esses equipamentos entrem no país via contrabando, é o que vai acontecer.

Enfim, mais um capítulo lamentável nessa saga tragicômica da propriedade intelectual pós-Internet...

EDIT.: Leia também: Universal tenta forçar Apple a pagar uma "taxa do iPod"

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Qual o pior crítico brasileiro de cinema no momento?

Rubens Ewald Filho
0% (0 votos)
Isabela Boscov
18% (2 votos)
Roberto Sadovski
18% (2 votos)
Pablo Villaça
55% (6 votos)
Ruy Gardnier
9% (1 voto)
Total de votos: 11
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Morre Robert Altman

81 anos.

Descanse em paz.

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Foto de Guybrush Threepwood

Bully

Primeira coisa a se dizer a respeito de Bully: não faz, nem de longe, juz a polêmica que foi criada em torno dele. Inclusive, durante o jogo, lembrei-me do apelido que o Jack Thompson deu a ele ("Columbine simulator") e tive que soltar uma gargalhada alta - mais equivocado, impossível. Se você for ver, o jogo é bem ingênuo, até. Claro, tem violência, mas essa fica restrita a troca de socos entre estudantes (quem nunca se envolveu em brigas quando estava no colégio?), arremesso de ovos, guerra de comida no refeitório e coisas do tipo. Não há sangue, armas de fogo, nada.

E sim, você pode abusar de seus colegas (o chamado bullying, acho que não existe palavra em português específica pra isso) - seja trancando eles nos armários, puxando a cueca, torcendo o braço - mas o jogo não incentiva isso. Aliais, o protagonista, Jimmy Hopkins, apesar de ser um jovem desajustado e com sérios problemas de atitude, no fundo tem um bom coração e acaba ajudando colegas a evitar o bullying (durante as missões do jogo).

Eu diria que o jogo é um GTA clone, mas fica estranho esse termo já que é dá próprio Rockstar. Tem o esquema aberto, do mapa com as missões principais e side missions, que você pode cumprir, ou pode ficar zoneando pela escola (ou pela cidade), pichando muros, jogando fliperama, participando de corridas de bicicleta ou trabalhando pra ganhar dinheiro (entregando jornal, cortando grama etc). Você também vai ter aulas no colégio - que você pode assistir ou cabular - mas assisti-las é importante, pois traz upgrades para o seu personagem. Passe em alguns trabalhos de inglês e você se dará melhor em situações sociais; passe em química, e você aprenderá a fazer pó-de-mico para jogar nos outros; passe em educação física e você melhorará suas habilidades de combate. Bully traz também algumas novidades que apareceram no Warriors, como pichar muros usando o analógico direito do gamepad, ou a barra de energia circular nos personagens.

Como todo bom jogo da série GTA, Bully também possui uma excelente história e um memorável cast de personagens. Memorável também é o "vilão", que apesar de ficar sumido durante 80% do jogo, retorna de maneira triunfal na última missão. Uma coisa interessante é que apesar de o jogo nunca fazer referência ao ano em que se passa, ele tem todo um climão de anos 80, com uma atmosfera que remete aos filme de colégio daquela década (como "Te Pego Lá Fora").

Junte tudo isso a uma excelente trilha sonora e os melhores gráficos já vistos em um jogo da Rockstar - e você tem aí um game sensacional, e até o presente momento, o melhor do ano. O único defeito - é curto demais para um jogo do estilo (não dá nem um terço de um GTA: San Andreas). Apesar disso, já é um clássico. Obrigatório.

Nota: 9,3

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Foto de quase nada

Os Infiltrados (The Departed)

Me decepcionei, é apenas médio, tem gente fazendo a promiscuidade de falar que é melhor que Cassino e Goodfellas. É muito mais chato, tem algumas cenas boas, como a introdução de 15 minutos, mas o Jack Nicholson, exagerado como sempre, faz o favor de caricaturizar um personagem teoricamente sério, que fica mais parecido com o coringa do que com um mafioso. A história é fraca, sem foco e completamente previsível dentro de sua imprevisibilidade (uau!). Não entendo o que viram nesse filme, ele não é metade do que falam.

Nota 5,13 (sangue digital, diálogos lentos, reviravoltas fracas, cenas risíveis, trilha sonora instável)
Nb 8 (a cena do penis falso me entristeceu profundamente, sem falar na cena do Jack Nicholson imitando um rato.)
NCN 3 (nenhuma cena de ação empolga, mas elas estão lá, perdidas entre milhares de cenas chatas)
Punhometro 2 (tem uma médica anorexica gostosa)

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Projeto de lei maluquete quer o fim do anonimato na Internet

Hahahaha. Além dos problemas de ordem prática, esse negócio é tão inconstitucional que eu sinto meu intestino dar nós. É praticamente um projeto de lei chinês! Ou isso, ou é inócuo...porque pelo que a matéria dá a entender, se a exigência for apenas de documentação, isso os provedores já têm.

Quote:
Projeto quer controlar acesso à internet

ELVIRA LOBATO, da Folha de S.Paulo, no Rio.

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado votará, na próxima quarta-feira, um projeto de lei que obriga a identificação dos usuários da internet antes de iniciarem qualquer operação que envolva interatividade, como envio de e-mails, conversas em salas de bate-papo, criação de blogs, captura de dados (como baixar músicas, filmes, imagens), entre outros.

O acesso sem identificação prévia seria punido com reclusão de dois a quatro anos. Os provedores ficariam responsáveis pela veracidade dos dados cadastrais dos usuários e seriam sujeitos à mesma pena (reclusão de dois a quatro anos) se permitissem o acesso de usuários não-cadastrados. O texto é defendido pelos bancos e criticado por ONGs (Organizações Não-Governamentais), por provedores de acesso à internet e por advogados.

Os usuários teriam de fornecer nome, endereço, número de telefone, da carteira de identidade e do CPF às companhias provedoras de acesso à internet, às quais caberia a tarefa de confirmar a veracidade das informações.

O acesso só seria liberado após o provedor confirmar a identidade do usuário. Para isso, precisaria de cópias dos documentos dos internautas.

Leia o resto da matéria aqui.

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Qualidade nas legendas

Com esse barata-voa que se instalou na comunidade de legendas, ficou ainda mais difícil pensar em algo importante, e que sempre tem sido relegado a segundo plano: controle de qualidade das legendas.

Vamos combinar, a maioria dos "tradutores" de legendas têm um nível de primeiro ano de CCAA. É difícil encontrar uma legenda que não contenha erros crassos de tradução, que são identificáveis mesmo sem saber o texto original.

Vi dois filmes que falam o tempo todo em drogas e vício -- A Scanner Darkly e Thank You for Smoking -- e os caras traduzem addiction como adição, e addictive como aditivo! Que fosse um ou outro erro acessório, tudo bem, mas são palavras essenciais para a compreensão da história.

Isso não é nem falta de conhecimento em inglês, é burrice mesmo. O cara não consegue escrever uma frase coerente, e mesmo quando o vocabulário está correto, a frase fica artificial, com a estrutura dela copiada do original em inglês.

Eu gostaria que houvesse um bom site de legendas com mecanismos para avaliar a qualidade do que é postado. O Legendaz até que tinha um arremedo disso, apesar de apagarem alguns comentários com críticas. Mas era preciso algo mais, informar sobre as revisões, premiar os melhores tradutores, etc. Acho que vou esperar sentado.

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Terrorismo causado pela ADEPI cada vez pior

Agora, eles acharam uma boa idéia tirar do ar sites que distribuem legendas gratuitamente, baseando-se em um artigo que diz que "proibido traduzir uma obra sem o consentimento do autor". O pior é o que os sites estão acatando essas ameaças terroristas, e saindo do ar ou tirando sua seção de legendas (como fez o LostBrasil). Esses webmasters brasileiros são uns cagões, nenhum deles tem peito para ignorar essa ameaças, como faz o pessoal do PirateBay.

A notícia, abaixo:

LostBrasil e SóSéries são pressionados a tirar legendas do ar

O cerco ao sites que distribuem legendas em português de filmes e seriados de televisão aumentou. A Adepi (Associação de Defesa da Propriedade Intelectual) decidiu não esperar por novas ações da polícia federal e enviou comunicados aos sites LostBrasil e SóSéries para que suspendam o fornecimento de legendas, ameaçando processá-los caso contrário.

Segundo informação publicada ontem pelo site LostBrasil, os advogados da Adepi estão agindo representando os interesses dos grupos Buena Vista (que produz e distribui Lost em DVD) e Sony (dona do canal AXN). Desta vez o argumento usado não é que a distribuição de legendas é feita com a intenção de lucro, mas de que a tradução de conteúdo sem o consentimento de seu autor constitui crime de violação de direitos autorais.

O site LostBrasil retirou do ar as legendas ontem (dia 31/10) e saiu do ar hoje pela manhã. O SóSéries também removeu suas legendas e seu site do ar - apenas o fórum do site permanece funcionando.

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Juíza espanhola diz: compartilhar arquivos é legal, compartilhe você também!

Paz Aldecoa, sou seu fã. Tudo bem que é capaz da decisão ser reformada, e da Espanha receber uma alteração na lei de direitos autorais ainda mais draconiana do que a recente, mas convenhamos, Aldecoa merece palmas. Ah, é uma juíza, e não um juiz, ao contrário do que dá a entender a seguinte citação do Register:

The Register wrote:
A judge in the northern city of Santander in Spain dismissed a case against an anonymous 48-year-old man who shared digital music on the net.

Judge Paz Aldecoa of No. 3 Penal Court ruled that under Spanish law a person who downloads music for personal use can not be punished or branded a criminal. He called it "a practised behaviour where the aim is not to gain wealth but to obtain private copies".

Fonte

Mais informações aqui.

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[MOSTRA/SP] El Laberinto del Fauno

Segundo filme do que aparentemente será uma trilogia com 3993, em 2007, iniciada por El Espinazo del Diabo, esse filme é a indicação do México para o Oscar de filme estrangeiro. Acho que tem MUITAS chances de ganhar, e a Academia é capaz até de ignorar os componentes fortes de horror/fantasia, já que tem criancinha e tem guerra. Mas não da forma usual, melhor frisar logo de cara.

Quem viu Espinazo já sabe mais ou menos o que esperar. Fauno e Espinazo se complementam muito bem, em tom e conteúdo. Com a diferença de que Fauno é bem melhor (não que Espinazo seja ruim, é um filme que deveria ter ganhado mais reconhecimento). Também é mais violento, triste e cruel, de dar um certo nó na garganta no final.

Assim como Espinazo, é um filme que tem efeito cumulativo. Começa legal, mas vai ganhando força lentamente até o final extremamente bem orquestrado. Tiro certeiro de del Toro.

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[MOSTRA/SP] The Prestige

Eu apostei nesse filme como o melhor de 2006, e acho que não errei...muito. Não sei se é o melhor, mas é um dos melhores, sem dúvida. Engraçado como eles mudaram MUITA coisa do livro, e ao mesmo tempo mantiveram muita coisa também. Os irmãos Nolan alteraram radicalmente a estrutura, mudaram a moldura da trama, modificaram alguns eventos, algumas personagens...enfim, jogaram as coisas de pernas para o ar. Mas ficou excelente, e fiel no que importa.

A moldura do livro é a seguinte: há uma narração no presente, envolvendo os descendentes de Angier e Borden, conduzida pelo filho de um deles, que se encontra com a filha do outro. Nessa narrativa são encaixados dois diários. Primeiro o de Borden, depois o de Angier, em blocos completos. Depois há uma resolução no presente. O Priest escreve muito bem, e você tem um sentimento de cumplicidade muito grande primeiro com o Borden, depois com o Angier. Os dois se colocam como vítimas, e narram a história de forma pouco confiável, mas no final quem vence e surge como mais honesto é o Angier. No filme, os Nolan eliminaram essa moldura em favor de outra, mais complicada (e mais banal), envolvendo o julgamento do Borden pela morte do Angier. Na prisão, Borden tem acesso ao diário de Angier, e no diário de Angier, Angier por sua vez escreve tendo acesso ao diário de Borden. Há um diário dentro de um diário, flashbacks dentro de flashbacks, e comunicação direta entre ambos, por um artifício muito bem bolado que seria spoiler dizer. Desta maneira, os Nolan embaralham os dois blocos do livro e fazem um picadinho interessantíssimo. O truque das argolas, repetido algumas vezes no filme, representa bem a estrutura do roteiro. Que também replica a estrutura em três atos do número de mágica, narrada por Cutter no começo e no final do filme.

Eu sei que muita gente vai sair reclamando do filme por causa do final, mas no fundo The Prestige é ele mesmo um número de mágica cinematográfica, brilhantemente construído. Reclamar do final é cair no truque dos Nolan e confirmar a moral da história: segredos simples são difíceis de se acreditar, mas os complicados são difíceis de se aceitar. As pessoas acabam preferindo os simples, mesmo os intuindo, já que o que importa é acompanhar o número e se deixar deleitar por ele. Deleite por deleite, eu sinto dificuldades para acreditar que alguém não se sinta deleitado com este filme, pelo menos até o final. Prende tanto a atenção que você praticamente cai da poltrona, se aproximando inconscientemente da tela. E basicamente é essa a moral de The Prestige. É possível argumentar que seja um filme vazio, mas não é. The Prestige é um filme-tese quase irretocável, e a tese é interessante e não se aplica apenas a filmes ou números de mágica.

Em relação aos problemas...se os Nolan desconstruíram o livro de forma inteligente, a ordem do livro (e sua moldura) também tinham uma função importante, que acaba sendo perdida no filme. O prestige do número de Borden é simples, beirando ao ridículo, mas fácil de se aceitar. O prestige do número de Angier é mais complicado, requer uma dose extraordinária de suspensão de descrença, e é portanto mais difícil de se engolir. O livro lidava com isso muito bem. O prestige de Borden é revelado no final, depois de pouquíssimas pistas, e me pegou de surpresa. O prestige de Angier não tem muito mistério já a partir de mais ou menos a metade do diário de Angier, e vai sendo introduzido com cuidado, de modo que o leitor tem mais facilidade de aceitá-lo. E também consegue entender melhor o que se passava pela cabeça de Angier, que é um sujeito bem mais interessante e complexo no livro do que no filme.

No filme, os Nolan decidiram colocar uma pista sobre o prestige de Borden em praticamente TODAS as cenas em que ele aparece, e algumas em que ele não aparece. Are you watching closely?, a frase que é repetida várias vezes no filme, é dirigida à audiência. Eu vi o filme já sabendo o segredo de Borden, mas imagino que se não soubesse teria adivinhado facilmente, o que tira um pouco do impacto. Tudo bem que os Nolan querem provar algo com isso, mas dava para cortar metade das trocentas pistas. Se você estiver "watching closely", vai adivinhar com certeza. Já o prestige do truque de Angier é introduzido subitamente demais. Cai do céu, quase que literalmente, e por ser tão radical, fica um pouco chocante demais.

De qualquer maneira, verei de novo pelo menos mais uma vez no cinema, e comprarei o DVD. Se não é o melhor filme do ano, vai ser difícil encontrar um mais inteligente.

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[MOSTRA/SP] Babel

Previsivelmente, Iñarritu não desapontou. Acho que ele vai precisar fazer um filme bem diferente da próxima vez, porque este é muito semelhante aos outros dois em termos de estrutura. Não sei se ele consegue fazer mais um filme nesse esquema e não esgotar a fórmula. Mas como Iñarritu já disse que seus longas compõem uma trilogia, fico mais tranqüilo e espero que o futuro guarde filmes mais diferentes. Isto é, se Iñarritu e o roteirista Guillermo Arriaga não se matarem primeiro. Comparado aos outros dois, achei Babel pior do que 21 Gramas, mas melhor do que Amores Perros. Ou seja, um filme muito, muito bom.

Desta vez os núcleos de personagens são espalhados por lugares diferentes do globo: uma família de camponeses e um casal de americanos no Marrocos, os filhos pequenos do casal americano e sua babá entre os EUA e o México, e um caçador japonês e sua filha surdo-muda no Japão. São várias as línguas faladas, e uma não-falada (sinais), o que justifica o título Babel. Fora isso, também se encaixam no título a incapacidade de comunicação entre as personagens, em relações interpessoais e até globais, e seu oposto, a capacidade de comunicação além da barreira da língua e costumes. É um filme otimista, diga-se de passagem. Ninguém vai sair deprimido do cinema, apesar da série de desgraças que se acumulam ao decorrer da narrativa.

O incidente que dispara as histórias desta vez não é um acidente de carro, mas um tiro de rifle que acaba ferindo gravemente a mulher americana, disparado por um dos filhos da família de camponeses quando testavam a arma. A narrativa é não-linear, não tão perfeitamente particionada quanto a de Amores Perros, mas não tão radical quanto a de 21 Gramas. Fica algo entre os dois extremos, mas é tão bem construída e flui tão solta que você nem percebe as diferenças de tempo entre algumas seqüências, apesar de perceber no final que estava totalmente perdido em relação à distância temporal que separava algumas cenas.

Eu li alguns comentários dizendo que o núcleo do Japão não se encaixa bem na história, e que é a parte mais fraca de Babel, mas eu discordo violentamente. Achei os segmentos japoneses de longe os melhores do filme, com Inãrritu, o diretor de fotografia e o editor soltando a franga em Tóquio, retratando a cidade de forma tão bonita que dá gosto de ver. Não é nem a Tóquio-pesadelo urbano dos filmes japoneses e americanos usuais, nem a Tóquio de vitrine à la Sophia Coppola. A cidade fica vibrante, intensa, e dá um contraste interessante à aridez e ao calor do Marrocos e da fronteira EUA-México. É uma coisa molhada, de cores frias porém fortes, que dá um contraponto gritante aos outros núcleos do filme e até mesmo ao drama interno da protagonista japonesa, sozinha e cheia de mágoas. Funciona, em outras palavras, que é uma beleza, e a narrativa parece desconexa das demais apenas à primeira vista.

Não vou contar mais para não estragar a experiência, é um dos melhores filmes de 2006, que merece ser visto o tão breve possível. Entra em cartaz dia 19 de janeiro.

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[MOSTRA/SP] A Scanner Darkly

Eu chutei que essa ia ser a primeira adaptação realmente fiel de uma obra do Dick para o cinema e acertei...quer dizer, acho. Pena que Scanner não é, na minha opinião, um dos melhores livros do Dick (Three Stigmata of Palmer Eldritch, Ubik, VALIS, A Maze of Death, Doctor Bloodmoney...há vários outros livros melhores). Mas algumas coisas não ficaram muito boas. Já faz um bom tempo que eu li o livro, mas pelo que eu me lembro...

Spoiler: Highlight to view
Fred não sabia que Bob Arctor e ele eram a mesma pessoa na maior parte do livro, e isso afetava bastante a mecânica da história. A questão da Donna ser a chefe do Arctor, se eu me lembro bem, não acontecia (achei isso um truque meio barato), e o final era bem mais deprê, com Arctor preso na New Path, que não estava na mira de qualquer investigação policial, sem perspectiva de sair lá um dia. Não tinha essa luz no fim do túnel de guardar florzinha para os colegas, eventualmente entregando uma pista de que havia uma conexão entre a New Path e a Substance D. A New Path termina o livro em pleno domínio da situação, sem que Arctor possa fazer nada a respeito.

Fora isso, a adaptação me pareceu bem fiel. O filme não consegue abordar tão bem quanto o livro a relação Fred/Bob Arctor, pelo motivo que eu coloquei na caixa de spoiler, mas não deixa de ser bacana. Se for para dar uma nota, 7 em 10.

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Indústria fonográfica processa compartilhadores de arquivo no Brasil

Era questão de tempo: a IFPI anunciou ontem que irá começar a processar usuários de redes p2p também no Brasil. Estão tocando 8000 legal actions (categoria um tanto ampla) ao redor do mundo, envolvendo 17 países. Além do Brasil, a indústria fonográfica atuará pela primeira vez no México e na Polônia. Em território nacional, quem irá cuidar dos processos será a ABDP, que em entrevista coletiva mencionou, além de alguns dados numéricos altamente questionáveis, a intenção de processar vinte usuários de redes de compartilhamento. Todos, supostamente, em dado momento disponibilizaram para upload algo entre 3000 e 5000 músicas. A ABPD não parece estar interessada em quem tem disponibilizado um punhado de discos apenas.

Não se sabe muito bem, até agora, o que de fato ocorrerá, ou mesmo qual a estratégia jurídica da ABDP. O fato de que o CTS (Centro de Tecnologia e Sociedade) da FGV-RJ, apesar de previamente inscrito, foi barrado da coletiva da ABPD, sinaliza que a intenção é espalhar desinformação sobre quais ações serão tomadas. Ao que tudo indica, o objetivo da ABDP é, ao mesmo tempo, testar qual vai ser a resposta do Judiciário para os casos, e intimidar usuários de diversas redes. Shock and awe. A imprensa nacional, em questões de propriedade intelectual, costuma repetir press releases sem o menor pudor e senso crítico. Uma parte que enxerga a situação por um outro ângulo é então impedida de participar da coletiva, por motivos óbvios. Quanto mais desinformação é espalhada, melhor para a indústria fonográfica.

De uma vez, foram mencionadas na coletiva não apenas transferências via torrent, mas também compartilhamento nas redes ed2k e, surpresa, Soulseek. Parece-me difícil alguém compartilhar mais de 3000 músicas via torrent, porque simplesmente não é eficiente. Acho mais óbvio os usuários futuramente processados terem disponibilizado as músicas por meio das redes ed2k e Soulseek, nas quais é mais fácil fazer um levantamento do acervo compartilhado. No caso de transferências via torrent, que envolvem milhares de mini-redes, muitas delas ad hoc, além de ser difícil achar alguém que compartilhe tantas músicas (talvez algumas várias discografias?), há questões de ordem prática interessantes. Para se fazer um levantamento de acervo, seria necessário pegar um tracker privado, consultar a página de um usuário brasileiro, anotar todos os torrents compartilhados por inteiro em dado momento, e baixar um por um (não necessariamente até o final), para ver qual o IP que bate em cada swarm específica. Acho meio difícil eles terem feito isso, até por algumas contingências da administração de seeds múltiplos por clientes torrent.

Mas a questão de que redes teriam sido afetadas é longe de ser a única que se encontra nebulosa. A ABDP/IFPI diz não ter identificado os usuários, de modo que, teoricamente, eles só disporiam, no momento, de alguns números IP. Mas segundo me disse em correspondência pessoal Bruno Magrani, do CTS/FGV-RJ, a intenção parece ser processar civil e não criminalmente, e existe a possibilidade de que a ABDP já se encontre com os nomes dos usuários vinculados a cada IP. Se de fato a ABDP já se encontra na posse destes nomes, há problemas sérios em relação ao fornecimento deles pelos provedores de acesso, sem ordem judicial. Caso a ABDP não tenha os nomes, pergunta-se se não seria uma estupidez processar civilmente sem isolar autoria. Não faz sentido. O caminho usual seria representar pedindo abertura de inquéritos policiais para investigar autoria e materialidade de infrações penais, abrindo caminho para processos-crime, e só depois correr atrás de compensação no cível. O que pode explicar uma relutância em processar criminalmente os usuários pode ser o fato de que o exame de provas, em juízo criminal, costuma ser bem mais rigoroso. Um print screen com uma lista de arquivos nunca vai resultar em uma condenação criminal regular. Não que necessariamente vá funcionar no cível, mas a avaliação do conjunto probatório, de modo geral, é bem mais rígida em sede criminal. Nos EUA faz sentido processar com conjunto probatório precário, porque há uma pressão enorme, pelos custos do processo, de se fazer um acordo antes de uma decisão. No Brasil não existe uma pressão de intensidade semelhante, e a qualidade da prova passa a importar, e muito.

No que tange a questões de direito material, ainda há espaço aberto para a discussão de se houve ou não violação de direitos autorais, apesar da literatura nacional costumar identificar – inconstitucionalmente, na minha opinião – o rol de limitações do art. 46 da Lei 9.610/96 (Lei de Direitos Autorais) como sendo taxativo e não exemplificativo. Isso sem contar na infame definição de “lucro indireto”, no caso dos parágrafos do art. 184 do Código Penal. De todo modo, o CTS está com uma proposta de alteração do art. 46 da Lei de Direitos Autorais, procurando se adequar ao procedimento de três etapas da Convenção de Berna, mas ao mesmo tempo garantindo algum espaço de manobra.

A proposta de alteração é a seguinte:

Quote:
Art. 46. Não constitui ofensa aos direitos autorais, a reprodução parcial ou integral, a distribuição e qualquer forma de utilização de obras intelectuais que, em função de sua natureza, atenda a dois ou mais dos seguintes princípios, respeitados os direitos morais previstos no art. 24:
I - tenha como objetivo, crítica, comentário, noticiário, educação, ensino, pesquisa, produção de prova judiciária ou administrativa, uso exclusivo de deficientes visuais em sistema Braile ou outro procedimento em qualquer suporte para esses destinatários, preservação ou estudo da obra, ou ainda, para demonstração à clientela em estabelecimentos comerciais, desde que estes comercializem os suportes ou equipamentos que permitam a sua utilização, sempre na medida justificada pelo fim a atingir;
II - sua finalidade não seja essencialmente comercial para o destinatário da reprodução e para quem se vale da distribuição e da utilização das obras intelectuais;
III - o efeito no mercado potencial da obra seja individualmente desprezível, não acarretando prejuízo à exploração normal da obra;
Parágrafo Único - A aplicação da hipótese prevista no inciso II deste artigo não se justifica somente pelo fato de o destinatário da reprodução e quem se vale da distribuição e da utilização das obras intelectuais ser empresa ou órgão público, fundação, associação ou qualquer outra entidade sem fins lucrativos

Há uma petição online para apoiar essa alteração. Enquanto as coisas continuam imprevisíveis, não disponibilizem mais de 3000 arquivos em qualquer rede de compartilhamento, inclusive o Soulseek. Para quem está em trackers privados populares porém obscuros, não vejo motivo para preocupação, mas mantenham o número abaixo de 3000, de qualquer maneira. Caso algum problema surgir, o CTS está estudando a possibilidade de, se não representar diretamente os réus, pelo menos oferecer algum tipo de assessoria jurídica. Se você for um dos 20 felizardos, pode contatar Bruno Magrani via o endereço magrani arroba fgv ponto br para mais informações.

Interessante mencionar que esta ação da IFPI vem, curiosamente, na esteira de uma mega-operação anti-pirataria chamada, sei lá por qual motivo, de I-Commerce (“I” do quê, por gentileza?). Como dano colateral da operação, o maior site de legendas do Brasil, o Legendaz, saiu do ar. Parece que o responsável pelo site também vendia, em um link semi-secreto no mesmo domínio, filmes piratas. Muito inteligente. Alguns outros sites de legenda, e o Compartilhando.org, fecharam por medo de represálias, em efeito dominó. E o maior rival do Legendaz, o Só Séries, festeja não sem uma dose enorme de Schadenfreude, o destino do webmaster do Legendaz.

Juntando um grupo de ações a outras totalmente diferentes - umas contra piratas de verdade, outras contra usuários de redes p2p -, prossegue a associação da pirataria ao compartilhamento de arquivos, algo longe de ser coerente, mas que a imprensa segue perpetuando. Não parece ter sido coincidência que a operação I-Commerce e o anúncio da IFPI tenham ocorrido em sucessão imediata. Sob o rótulo odioso da pirataria, é mais fácil atacar na mídia – e em juízo, se o juiz for desinformado – milhares de usuários de redes de compartilhamento. Estratégia de propaganda básica, mas eficaz.

Os efeitos, para o futuro: nulos, se estivermos considerando o impacto na proliferação de redes [.pdf]. Alguns compartilhadores serão processados e talvez condenados, ouviremos muita bravata da indústria do conteúdo, o compartilhamento quem sabe seja ainda mais estigmatizado pela imprensa, mas de resto, tudo continuará como antes. Não há mais volta [.pdf].

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Feed RSS: agora na página Contribuições Recentes

Como bastante gente assina feeds aqui no Joio, e hão havia uma para a página mais acessada do site, Contribuições Recentes, a administração disponibiliza a partir de hoje esta nova feed:

http://www.joio.com.br/?q=trackerrss

Acompanhar a página Contribuições Recentes é a melhor maneira de ficar por dentro de tudo o que acontece no Joio, e a tarefa fica agora mais fácil e conveniente.

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Lucasfilm abandona o cinema

A empresa de George Lucas concentrar-se-á de agora em diante em produções para a TV e Internet. Lucas acredita que o hábito de ir ao cinema está morrendo, e quer fazer de Indiana Jones IV a última produção da Lucas para o cinema. Daqui pra frente, apenas produções menores, a serem preferencialmente baixadas em um esquema pay-per-view, pay-per-download. Mas ele ainda está cauteloso em relação à Internet, e com os olhos mais voltados para a TV:

Quote:
That doesn't mean Lucasfilm is diving into online distribution, though. "Having had a lot of experience in this area, we're not rushing in," he said. "We're trying to find out exactly where the monetization is coming from. We're not interested in jumping down a rat hole until such time as it finally figures itself out."

Creio que talvez no futuro as massas abandonem mesmo o hábito de ir ao cinema, mas sempre vai haver mercado, nem que seja um nicho bem diminuto, para exibições em tela grande. De todo modo, as melhores coisas produzidas atualmente nos EUA são mesmo para a TV. Séries recentes e atuais como Lost, 24, The Office, Six Feet Under, Battlestar Galactica e Veronica Mars têm sido bem melhores do que a maior parte dos filmes hollywoodianos e produções independentes americanas. Quem sabe não seja um primeiro passo para a extinção do blockbuster-monolito, não no futuro próximo, mas daqui a umas duas décadas...

Agora, o Lucas podia mesmo é criar vergonha na cara, e ressuscitar a era de ouro dos adventures na Lucasarts. Eu até compraria os jogos originais.

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