Narcos

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XIII
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Narcos

A nova série da Netflix que ousou forçar legendas guela abaixo nos norte-americanos é, podemos dizer... surpreendente. Apesar da nota alta no imdb a série foi lançada há pouco tempo e do que pude absorver do hype o que jogava contra era o sotaque dos non spanish speakers e o foco exagerado no lado tio sam das coisas, li muitas críticas vociferando contra a narrativa pela ótica do DEA.

Tendo isso em mente, acertaram a mão no formato e na proposta. O que se vê na primeira temporada de Narcos é uma timeline estrita da origem do império de cocaína de Pablo Escobar, muito bem interpretado por Wagner Moura que diferentemente do papel esdrúxulo em Elysium onde tiveram que redublar suas falas, manda muito bem em seus diálogos, não comprometendo nem soando ridículo (apesar de muitos colombianos e espanhóis pela internet terem criticado e muito o sotaque).

Digo que acertaram a mão porque o seriado ao menos nessa primeira temporada não tem a pretensão de contar toda a história e não acaba com a morte do protagonista, em vez disso o que se faz é a segmentação da história com um tom que mistura ficção/documentário, mostrando inclusive trechos de época da política latina e norte-americana. Essa característica talvez tenha sido a mão de José Padilha que dirigiu alguns episódios e é produtor executivo da série.

Já o formato o qual também elogiei acima, permite a conclusão da narrativa iniciada (uma vez que a segunda temporada foi aprovada quase que de imediato) e dá a possibilidade também da Netflix embalar sua própria série temática independente, como American Horror Story e a tão hypada True Detective que deixou e muito a desejar em sua segunda temporada. Vale a conferida.

Nota: 8.

agraciotti
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Ainda me faltam 3 episódios pra acabar e...sei la, to achando meio boa e meio ruim.

Tem lá seus méritos, é bem produzida, elenco no geral é bom e com bons momentos, mas é uma série q confia totalmente no impacto de contar uma história real (ao menos boa parte dela). E é isso q impressiona mais....ver q o Pablito mandou e desmandou num país inteiro e até explodiu um avião tentando matar um candidato a presidência. É surreal. No fim de cada episódio vou no wikipedia ler sobre os personagens e alguns acontecimentos.

Só q o desenvolvimento de personagem é ZERO. Até agora nao me importo muito com ninguém, não torço por ninguém, não odeio ninguém, não questiono ninguém e nenhum personagem se mostra realmente complexo. Acho um desperdicio pq é cheio de personagens com ótimo potencial, mas a série tá mais interessada em manter a carruagem da história andando do q desenvolver o mínimo de empatia emocional. Até o Pablo Escobar é meio antipático e passivo...apenas aparece reagindo ao q acontece e dando ordens ao próximo ato. E só. Não sei o q ele pensa, o q ele sente sobre tudo. No começo tava achando q era culpa do Wagner Moura, SEMPRE com seus tradicionais cacoetes pra compor personagem (agora, ele só entra em cena ajeitando as calças), mas depois comecei a achar q é culpa do roteiro mesmo, q não tá interessado em desenvolver personagem nenhum. A dupla de policiais, por exemplo, só lá pelo sétimo episódio q comecei a comprar q são dois caras q trabalham juntos e tem alguma dinâmica. Mas ainda assim, muito raso.

E pode ser implicância minha, mas se o Padilha dirigisse todos os episódios acho q nao teria saco pra série. Ele é outro cheio de maneirismos na direção e câmera na mão em momentos desenecessários. No segundo episódio tava me incomodando muito. No terceiro episódio a diferença foi brutal. Depois q vi q aquele e o 4 já foram dirigidos pelo diretor de fotografia do Guillermo Del Toro. A série melhora MIL vezes. Mesmo o Fernando Coimbra, q dirigiu o 7 e o 8, se nao me engano, q é mais inexperiente q o Padilha, segura as ondas bem melhor.

 

 

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quase nada
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Traduzindo: O Padilha pegou o Tropa de Elite, mudou o Wagner Moura de lugar, manteve a narração em off (com aquele tom cínico e toques de humor negro) e vendeu pro Netflix em formato de série (só dirigiu dois episódios pra não dar muito na cara, pois o papel real dele é a de produtor).

Tem até policial fazendo tortura do saco, ficou tudo muito genérico.

N: 6 

 

quase nada
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agraciotti wrote:

 (agora, ele só entra em cena ajeitando as calças),

kkkkk, é verdade, o Pablo dele tá uma figura meio "cagada", sempre mulambento e andando devagar, ficou um colombiano com trejeitos de baiano criado em minas.

XIII
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agraciotti wrote:

Só q o desenvolvimento de personagem é ZERO

Não é a proposta da série ir a fundo nos personagens, e achei isso um dos méritos. Seriado novelinha já tem saindo pelo ladrão, até os de modinha como o novo Fear The Walking Dead já começa no melodrama, chega!

quase nada wrote:

kkkkk, é verdade, o Pablo dele tá uma figura meio "cagada", sempre mulambento e andando devagar, ficou um colombiano com trejeitos de baiano criado em minas.

hahaha sensacional!

Agora, um ponto de destaque nessa série é o papel do André Mattos, o filho da mãe tá irreconhecível como um dos Ochoa, até demorei pra reconhecê-lo, anos luz distante do papel Datena/Fortunato no Tropa2. Tudo bem que o personagem fica meio caricato com a proposta de não ir a fundo nos personagens mas o cara tá mandando muito bem e com um espanhol melhor que o do Moura inclusive.

 

agraciotti
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XIII wrote:

Não é a proposta da série ir a fundo nos personagens, e achei isso um dos méritos. Seriado novelinha já tem saindo pelo ladrão, até os de modinha como o novo Fear The Walking Dead já começa no melodrama, chega!

Se pra vc "desenvolvimento de personagem" significa melodrama, essa discussão aqui não tem salvação. 

E sobre a polêmica do espanhol dele....eu sei la, claro q dá pra notar q ele fala diferente dos outros (se a gente já nota, imagina pra quem fala espanhol. Devem dar risada). Mas isso nem me incomoda tanto. O próprio Wagner Moura respondeu numa entrevista algo bem sensato sobre isso, falando q em ficção, mesmo quando inspirada na vida real, tem essas licenças com a língua. O Benicio el Toro fez um Escobar falando sempre em inglês num filme americano e ninguem falou nada.

Meu problema com a escolha dele é.... sério q nao tinha um ator colombiano pra fazer? Tipo, uma coisa é arrumar alguém famoso pra facilitar o financiamento do filme, o q justifica Hollywood colocar Madonna pra fazer Evita e Javier Barden pra fazer um brasileiro, pq pra eles foda-se ne, latino é tudo igual. Mas porra, já q Narcos era uma produção genuinamente latina-americana, e com elenco TODO de desconhecidos, pq nao chamar um ator local pra fazer? Colômbia ta ruim de ator assim? O Escobar matou tudo também?  Ou é só mais uma vez a mão do Padilha cagando tudo.

 

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O que eu quis dizer é que aprovei o formato de Narcos e que 8 de 10 seriados modernos tem como parte da proposta o desenvolvimento de seus personagens com certa profundidade, uma consequência de Lost, talvez? Que usava de alegorias pra prender o espectador quando o real foco era ir a fundo no character study, o que funcionou muito bem na época mas hoje, tem muito pouco replay value.

Como Narcos é inspirado e retrata personagens históricos, pra mim não podia ser diferente. Talvez ela pudesse ter sido mais marcante se usasse do formato do The Wire, por exemplo? Sem o voice-over que também tá sendo bem criticado e tendo em foco não só o decorrer dos fatos mas também as consequências e ramificações na vida daqueles diretamente envolvidos com mais pronfundidade.

Enfim, o que estou querendo dizer é que é padrão as séries de hoje em dia pesar muito em seus personagens, buscando cativar uma variedade ampla de espectadores, visto que o público alvo hoje é bem mais amplo do que já foi devido a globalização e o domínio atual dos seviços de streaming, e eu particularmente prefiro uma história bem escrita e apresentada do que me identificar com esse ou aquele personagem.

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XIII wrote:

eu particularmente prefiro uma história bem escrita e apresentada do que me identificar com esse ou aquele personagem.

Sim. Mas nao digo nem em relação à identificação ou mais background de personagens. Eu nunca esperei q chegue ao nível de um Mad Men ou Breaking Bad, e eu entendo q não é a proposta aqui, mas digo o nosso envolvimento ao q acontece com eles. No nível mais básico de roteiro mesmo. To achando a série muito pobre nisso. Pode reparar, o Escobar - q é O cara da série - aparece basicamente dando ordens ou vendo as merdas q ele fez pela TV. As poucas vezes em que o roteiro se preocupa em DESENVOLVER o personagem é em situações para parecer ameaçador (como aquela no primeiro episódio, dele ameaçando os policiais) ou tentando mostrar um lado humano (nas conversas com o filho e a mulher) mas, de novo, é tudo muito preguiçoso, escrito e executado de forma muito muito pobre. Eu não consigo me importar com ninguém na série. Piora ainda mais a direção pouquissimo inspirada (de todos. o Padilha pior ainda) q nao tenta impor um estilo nem nenhum exercício realmente criativo de linguagem pra q a série tenha uma CARA, sabe? (Assista Mr.Robot pra vc entender o q falo de uma série q impõe o estilo em CADA aspecto técnico, dos ângulos da câmera à montagem). É tudo totalmente esquemático e frio.

A série me leva a pensar mais sobre os FATOS que aconteceram do q sobre a FORMA e a narrativa com que ela os apresenta, e nao imagino crítica pior q essa para qualquer produção q se propõe a contar uma história inspirada em acontecimentos reais. Se ela nao consegue me impressionar na dramaturgia, então consigo o mesmo impacto vendo um documentário.

 

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